No Final do Corredor

histórias, experiências e lições de vida

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15 de fevereiro de 2019
Ana Lucia Coradazzi

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Uma bate, a outra faia…

Sofrimento alheio não se mensura. Não há como medir o que não faz parte da nossa realidade. Sofrimento alheio é assim: ele é o que o outro acha que é. Tem sofrimento que não cabe no coração. Dor profunda, complicada, de um tempo que nem sabemos quando foi. Dor alienígena, que não nos cabe entender. Às vezes o que nos cabe, humildemente, é aceitar, do jeito que vier, banindo a imensa vontade de consertar o que não pode ser consertado.

Mas como é que a gente faz quando o sofrer nos salta aos olhos, quando nosso desejo de ajudar nos ilude e nos faz ver um caminho de alívio que ninguém mais viu? Para quem cuida, quem sofre junto, para quem fica ao lado, “aceitar” pode ser tortura. Ninguém quer ver o outro sofrer. As mãos se retorcem para tomar alguma atitude. Coração apertado, acelerando no peito, impelindo a garganta para que fale alguma coisa – qualquer coisa – que ajude a passar o sofrimento. E, esquecendo que não dá pra mensurar o sofrimento alheio, nos vemos mergulhando de cabeça numa dor que não é nossa. Descobrimos, às vezes tarde demais, que o sofrer era mais fundo que o oceano, e que nosso mergulho só fez esparramar a água salgada…

Lidar com quem sofre é um risco constante. É andar na corda bamba, é brincar de roleta russa. Não tem sofrer igual ao outro, não há dor igual à sua, não há medo como o dele. Às vezes, só nos sobra uma oração que lhes conforte o coração. Às vezes, só resta nosso coração sozinho, batendo descompassado.

10 de janeiro de 2019
Ana Lucia Coradazzi

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A Reza

Era um final de tarde silencioso. Daqueles em que escutamos o farfalhar das folhas das árvores na janela, enquanto o céu anoitece cheio de preguiça. Nesses dias, mesmo dentro dos corredores do hospital, o mundo parece girar mais devagar. Até os ruídos rotineiros, como carrinhos de medicação atravessando o corredor, o falatório das enfermeiras passando o plantão ou os alarmes de algum aparelho, parecem estar com o volume respeitosamente reduzido. Como se o mundo todo estivesse cochichando para não acordar quem está dormindo.

Apesar da calma aparente que pairava no ar, meu coração não estava tranquilo. Aos 38 anos, Bárbara* estava se despedindo. O câncer de mama, diagnosticado pouco mais de um ano antes, tinha comprometido seus pulmões e seu cérebro, limitando sua vida de forma cruel. Bárbara tomava uma infinidade de medicações para controlar as dores de cabeça, as convulsões, o desconforto no estômago, o inchaço. Há meses não conseguia mais andar sozinha, e há algumas semanas não conseguia nem mesmo engolir os comprimidos adequadamente. Precisava da ajuda do esposo, da mãe e das duas filhas para tudo, da alimentação ao banho, dos remédios à mudança de posição. Há três dias a falta de ar vinha piorando muito, com febre e secreção pulmonar e, apesar dos esforços da família nos cuidados, Bárbara precisou ser internada. Foram iniciados antibióticos e todas as medidas possíveis para aliviar os sintomas, mas seu desconforto era tamanho que ela precisou ser sedada. Era essa Bárbara, dormindo sob efeito dos sedativos e prestes a se despedir de todos, que eu estava indo visitar, com o coração cheio de angústia e compaixão.

A porta do quarto estava encostada, deixando apenas uma fresta, suficiente para que eu visse Bárbara deitada, imóvel, em seu sono profundo, e o esposo Valter sentado ao seu lado. Uma das mãos dele descansava sobre as mãos dela. A outra mão segurava uma Bíblia, com as páginas envelhecidas e o título dourado da capa já descascado. Seus olhos estavam fechados, seus lábios murmuravam uma prece. Sua concentração era tamanha que ele não percebeu minha presença. Continuava rezando, acariciando as mãos da esposa de quando em vez, pendendo a cabeça para frente nos momentos de maior comoção. Fiquei ali observando seu ato de fé por um bom tempo. Não queria entrar no quarto e interromper um momento tão íntimo, mas também não queria sair dali. Era como se a prece dele envolvesse todo o mundo ao seu redor. Como se as palavras que saíam da sua boca anulassem a dor daquela situação. Alguns minutos depois, ele terminou a prece, com um agradecimento a Deus e um beijo nas mãos de Bárbara. Sorriu quando me viu na porta, fazendo sinal para que eu entrasse.

Perguntei se eu estava atrapalhando, ele disse que não, que estava tudo bem. Examinei a Bárbara, tranquila, adormecida. Me sentei então com Valter para saber como ele estava, perguntei pelo que ele estava rezando. Ele sorriu. “Por ela, doutora. Eu só rezo por ela.” Perguntei se ele estava pedindo alguma coisa em especial. “Eu sempre peço pela cura, doutora, mas sei que Deus é quem sabe. Se Ele estiver precisando mais dela lá do que eu preciso dela aqui, não posso mudar isso.” Um silêncio triste tomou conta de nós dois. Olhamos para ela, inconsciente, como se esperássemos que ela própria nos desse essas respostas. Peguei nas mãos dele, e ele novamente sorriu, devagar, meio trêmulo: “Eu preciso muito dela comigo, doutora, a senhora nem imagina o quanto. Minhas filhas também. Mas tenho fé que Deus nunca está errado. Vai dar tudo certo”. Concordei com ele. Tudo sempre dá certo, mesmo quando parece que está tudo errado. Fiquei ali com ele algum tempo, com longos silêncios e algumas lágrimas. Não havia angústia ali dentro. Não havia medo, não havia escuridão. O que eu via era a grande tristeza de um homem se vendo obrigado a se despedir da esposa, e que lutava para aceitar sua própria impotência, confiando seu destino (e o dela) a algo tão maior que não podia ser compreendido, ou sequer questionado. A simplicidade dele, as palavras simples, a atitude humilde diante da imensidão da vida… e da morte.

Quando saí do quarto, a noite já tinha chegado. Continuava lenta, preguiçosa, silenciosa. Meus pensamentos vagavam pela imagem de Valter rezando, sua crença em pertencer a um Reino cuja compreensão lhe fugia, sua resignação, seu amor pela esposa. São poucas as belezas humanas que me comovem tanto quanto a fé. Eu, médica e, portanto, uma mulher da ciência, fui treinada para duvidar, para comprovar teorias e estabelecer o que é certo e o que é errado. Fui capacitada para analisar evidências e buscar os resultados corretos. E aí me deparo, em tantos momentos da minha vida, com a tal da fé. A fé não tem evidências científicas. Não existe, por trás dela, a enormidade de estudos científicos, teorias, análises e discussões que me são tão familiares. A fé simplesmente brota no coração das pessoas e se instala por ali mesmo, envolvendo suas vidas. Faz com que acreditemos no incompreensível e nos dá a sensação de pertencimento que nos acolhe e conforta. A fé alivia o que a medicina não pode aliviar.

Fui andando lentamente pelo corredor em direção à saída. Podia ouvir meus próprios passos, devagar, durante todo o trajeto. A enfermaria, sempre tão ruidosa, hoje estava serena. O mundo estava deixando Bárbara dormir.

*nome fictício para proteger a privacidade da paciente

1 de janeiro de 2019
Ana Lucia Coradazzi

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Como coar o café

Dona Selma vem me ver a cada quatro meses. Desde seu diagnóstico oncológico (um câncer de intestino localizado, tratado com cirurgia há pouco mais de 3 anos), ela nunca perdeu uma consulta ou exame. Aos 67 anos, com uma boa saúde, parece sempre feliz e tranquila. Dona Selma é o tipo da paciente cuja consulta parece sempre curta demais, mesmo que fiquemos conversando por quase uma hora. Suas perguntas são intermináveis, mas muito poucas delas são sobre sua saúde. O que a interessa mesmo é saber sobre a vida das pessoas, inclusive a minha. Antes que alguém levante a mão e comente o quanto Dona Selma é mexeriqueira, já aviso: não é. E posso afirmar isso com convicção. Ao contrário: ela pouco quer saber sobre fatos, comentários ou tragédias. O que a encanta são os sentimentos, e a forma com que nós, humanos, lidamos com eles.

Foi numa dessa conversas quase filosóficas que surgiu o assunto de como é complexo manter nossos relacionamentos saudáveis. Ela própria tinha vivenciado um casamento muito infeliz, que culminou num divórcio litigioso e traumático, e que lhe custou anos para superar. Falamos sobre a dolorosa mágoa quando alguém nos decepciona, e sobre o impacto que isso pode ter nas nossas vidas, incluíndo nossa saúde. Foi aí que Dona Selma revelou o que vinha guardando para si nesses anos todos: ela achava que seu câncer tinha surgido da mágoa que tinha do ex-marido. Achava, aliás, era pouco: ela tinha certeza absoluta disso. Contou sobre os anos de convívio turbulento entre eles, com a descoberta de relacionamentos extra-conjugais e outras deslealdades, e do quanto, aos poucos, ela só conseguia enxergá-lo como uma pessoa miserável e cruel, até reduzi-lo a um monstro que dilapidava sua vida. Pediu o divórcio (que ele aceitou imediatamente), mas o processo todo levou anos a ser concluído, devido aos ressentimentos de ambos os lados que os impelia a não facilitar as coisas um para o outro. Algum tempo depois do processo de divórcio, Dona Selma descobriu o câncer.

Nessa época, já não vivia com o ex-marido há quase 6 anos, e muitas das emoções que tomaram conta deles já tinham esmaecido no tempo. Foi no momento de maior solidão em sua vida que Dona Selma se surpreendeu ao receber o telefonema do ex-esposo, colocando-se à disposição para levá-la às sessões de quimioterapia. Sem filhos e sem outras opções para ampará-la, ela acabou aceitando a ajuda. A cada 15 dias, ele a trazia para receber o tratamento, aguardava na sala de espera e a levava de volta para casa. Às vezes, levava sopa ou sanduíches para ela comer à noite, caso as náuseas permitissem. O mais espantoso foi que, durante todos os meses de quimioterapia (e mesmo depois, nas consultas de rotina), eu nunca o vi, e nem sequer imaginava que ele estava dando esse suporte a Dona Selma. Ele sempre mantinha uma distância respeitosa da vida dela. Não entrava nas consultas médicas, não lhe fazia perguntas mais específicas do que “Qual a data da próxima quimioterapia?” ou “Você precisa de mais alguma ajuda?”. Foi assim que, no decorrer do tratamento, eles aprenderam a se relacionar de outra forma, deixando as mágoas se dissiparem. Ela se lembra dessa época como “terapêutica”, porque arrancou dela a tóxica sensação de ressentimento que controlava sua vida. Não chegaram a se tornar bons amigos, muito menos reatar o relacionamento, mas passaram a conviver de forma harmoniosa e respeitosa, o que trouxe benefícios para os dois.

Eu olhei para ela, espantada. Era admirável ver alguém superar tantas mágoas e reaprender a enxergar o outro. Ela sorriu, do jeito tranquilo dela, e perguntou: “Doutora, você sabe coar café?”. Não entendi. Coar café? Do que estamos falando? Ela continuou: “Sabe, querida, demorei pra perceber que manter os relacionamentos é muito parecido com coar um bom café. A gente precisa aprender a deixar passar só o que é bom, só o que nos aquece o coração. A borra, a gente deixa presa no coador, e joga fora. Todo mundo tem potencial pra nos brindar com um bom café, mas todo bom café tem borra pra jogar no lixo.” Rimos juntas, ela tinha sido genial! Pensei no quanto precisamos ajustar nosso coador no decorrer da vida. No quanto “coamos” demais ou de menos as pessoas que encontramos pelo caminho, e no quanto desperdiçamos bons cafés porque ficamos com raiva, nojo ou preguiça de lidar com a borra. Dona Selma, com seu cafezinho coado, estava me ensinando sobre tolerância, e falando sobre o grande esforço necessário para não deixarmos nossos critérios tão restritos, tão apertados, que não passe nem água limpa por eles. Ela me falava sobre sabedoria, aquela que não permite que aquilo não nos serve contamine nossas vidas, mas que reconhece o que nos faz bem e “deixa passar”.

Foi assim, me ensinando a coar café, que Dona Selma ganhou minha admiração para sempre.

2 de dezembro de 2018
Ana Lucia Coradazzi

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As coisas que acontecem depois

Alguns anos atrás, um colega cirurgião me fez uma colocação um tanto inquietante. Estávamos conversando sobre as dificuldades de exercer a medicina, com tantos problemas de falta de estrutura, a remuneração muitas vezes inadequada, a expectativa de que médicos tenham poderes quase que divinos, entre outras coisas. Em certo momento, ele disse: “O que me faz seguir adiante é a gratidão dos meus pacientes. Vê-los seguir suas vidas, curados, cheios de novos projetos, e tão agradecidos pelo que fiz por eles, vale qualquer dificuldade”. Ele então fez uma pausa, como se estivesse escolhendo as palavras, e continuou: “Eu realmente não sei como você consegue fazer o que faz. Tantos pacientes que morrem, que não têm como te agradecer depois… deve ser desolador pra você.”

Tentei iniciar uma argumentação qualquer, mas alguém interrompeu a conversa, nos deixando nas reticências. Encontrei com meu colega várias vezes depois, mas nunca mais tocamos nesse assunto, e acabei até me esquecendo. Até o dia em que vi Fabiana* me esperando na porta do consultório, encostada na parede do corredor. Sua filha, Nina*, tinha falecido há duas semanas, aos 19 anos, por um sarcoma agressivo que tinha começado nas costelas e se espalhado para outros ossos, para o tórax e, finalmente, para o cérebro, não dando chances a ela. Tinham sido quase dois anos de quimioterapia, radioterapia, complicações e muitas limitações. Durante todo o tempo, eu presenciei uma relação que ia muito além de mãe e filha. Elas tinham uma admiração uma pela outra que me comovia. A parceria incondicional, o respeito pelos limites físicos e emocionais que se multiplicavam pelos caminhos de ambas, a paciência, o carinho. Eu tinha aprendido como elas funcionavam. Sabia o quanto eu podia falar quando as notícias eram ruins, e principalmente podia comemorar com elas quando conseguíamos um bom resultado.

Cerca de um mês antes, o desafio tinha sido assustador. Nina estava ótima, tolerando bem a quimioterapia e com sinais de melhora da falta de ar, quando teve uma convulsão grave em casa. Chegou ao Pronto-Socorro desacordada, não respondia a qualquer estímulo e com a pressão arterial nas alturas. Uma tomografia logo revelou o motivo: metástases cerebrais. E com um grande sangramento associado, com imensas chances de não conseguirmos evitar sequelas neurológicas graves mesmo com a realização de uma cirurgia. Fabiana se desesperou. Embora compreendesse que Nina não gostaria de viver com sequelas que a deixassem totalmente dependente, não conseguia conceber a ideia de que não fizéssemos algo para tentar. Foram horas muito duras para todos nós. Descartada a viabilidade da cirurgia, decidimos iniciar medidas clínicas que pudessem ajudá-la. Aos poucos, Nina foi melhorando. Abria os olhos, às vezes murmurava alguma coisa. Mais alguns dias e ela começou a responder perguntas simples, sorrindo devagar. Um dia, entrei no quarto e ela sorriu, o mesmo sorriso que a acompanhava nas consultas do ambulatório. Fabiana, incansável, não saía do lado dela. No rosto, ela tinha somente alívio. Nas palavras, ela contava como tinham sido aqueles dias tétricos, e seu desespero por sentir que ainda não era o momento da filha ir embora. A angústia de tentar fazer com que todos compreendessem isso, e o alento quando decidimos todos juntos o que seria feito, levando em conta a percepção dela.

Nina estava relativamente bem, quinze dias já tinham se passado desde aquele dia tenebroso do Pronto-Socorro. Era início da madrugada, e as duas estavam acordadas, em silêncio, no quarto escuro. Nina chamou pela mãe. Perguntou se ela ficaria ali, pediu que lhe desse a mão. Perguntou se poderia dormir. Algo na voz de Nina tocou o coração de Fabiana. Ela não conseguia mais dormir, e continuou ali ao lado, de mãos dadas com a filha. Algumas horas depois, Fabiana estranhou a respiração dela e chamou a enfermeira. Nina tinha partido. Assim, dormindo, sem desespero, sem sofrimento.

Fiquei sabendo no dia seguinte. Uma notícia que entristeceu minha alma. Eu pensava na vida da Fabiana dali para frente. No vazio, na tristeza, na dor. Tentei ligar para ela, mas não consegui. Numa oração, torci para que ela ficasse bem, que pudesse seguir em frente. Não tive mais notícias dela até aquele dia, em que ela surgiu no ambulatório. Sorriu ao me ver abrir a porta, começou a chorar. Apertei-a num grande abraço, com aquela vontade de pegar para mim pelo menos um pouquinho da sua dor. No meio do abraço, ela disse que tinha vindo agradecer. Pelo carinho, pelo respeito, por estar por perto, por entendê-las, e por permitir que Nina fosse embora do jeito que era pra ser. Disse que, apesar da tristeza, seu coração estava em paz, e que se sentia uma mulher de muita sorte por todas as bênçãos que tinha recebido em seu caminho. Chorei e sorri com ela, ali no meio do corredor, lembrando do jeito brincalhão da Nina e de tantas outras coisas boas que ela tinha deixado nas nossas lembranças.

Depois que ela foi embora, me veio à mente a colocação do meu colega, anos atrás. Eu jamais poderia explicar a ele, nem naquele momento e nem hoje, o quanto um agradecimento como o da Fabiana pode nos transformar, não apenas como médicos, mas também como pessoas. Eu não conseguiria explicar o valor da gratidão quando as coisas deram errado, quando o sofrimento foi imenso, quando a dor não cabia no peito. Mais que isso: eu não saberia quantificar o sentimento de saber que pude ajudar, mesmo quando a própria pessoa não pôde estar ali para agradecer.

Médicos podem receber de volta muito mais do que deram. Nem sempre conseguimos resolver as coisas, e às vezes nem mesmo podemos melhorá-las. Há situações em que nosso conhecimento médico vale quase nada, e tudo de que dispomos é nosso conhecimento humano. É precisamente nesses momentos em que não é preciso ouvir “Obrigado”. Muitas vezes, nem é preciso ouvir palavra nenhuma. Basta saber o quanto somos parte de algo muito maior que nós mesmos, e o quanto podemos ser instrumentos de alívio e amor na vida das pessoas. É esse o sentimento que realmente nos motiva, nos impulsiona, nos faz seguir adiante. Às vezes, basta estar lá.

 

*nomes fictícios para preservar a privacidade de ambas