Este é um blog muito especial. As histórias contadas aqui descrevem pessoas como eu ou você, mas que assistiram as suas vidas virando do avesso, e conseguiram viver mesmo assim. São pessoas que sobreviveram a perdas inimagináveis, que se adaptaram a situações extremas, que lutaram quando ninguém mais tinha forças. São histórias sobre gentileza, força, coragem, fé, medo, determinação. Elas falam da generosidade de que os seres humanos são capazes, e das percepções ímpares que um diagnóstico de câncer revela. Falam das nossas fraquezas, das nossas angústias, e de como a vida pode, às vezes, ser realmente cruel. Falam de amor incondicional.
A diferença está em quem fala. As histórias e lições de vida não são aqui narradas por quem efetivamente as viveu, e sim pelos profissionais da saúde que as assistiram de perto. Pessoas que tiveram a rara oportunidade de compartilhá-las, participar delas, absorver os ensinamentos impagáveis dessas pessoas especiais. É nos momentos frágeis e difíceis que as pessoas se revelam, expõem o que têm de melhor e de pior. É só nesses momentos que conseguimos enxergar a verdadeira natureza humana, com toda a sua complexidade e todo o seu encanto.
O nome, “No Final do Corredor”, foi escolhido para provocar. Quando finalmente conseguimos aprovação para instalar nossa enfermaria de Cuidados Paliativos no hospital, o único lugar que nos foi disponibilizado foi ali, no final do corredor. Era um canto onde quase ninguém passava, quase ninguém via. Era onde as pessoas eram “mandadas para morrer”, e quem quer ver pessoas morrendo? E foi ali, no tal final do corredor, que transformamos fim de vida em esperança, sofrimento em alívio, solidão em aconchego, desespero em acolhimento. Ali vimos pessoas viverem plenamente pelo tempo que tinham, da melhor forma que podiam. Aprendemos, ensinamos, sorrimos, choramos, rezamos, silenciamos. O final do corredor, seja no hospital ou na vida, é sagrado.




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