No Final do Corredor

histórias, experiências e lições de vida

14 de abril de 2015
Ana Lucia Coradazzi

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Desde quando e até quando?

E é sempre a primeira pergunta: mas quando é que um paciente deve ser encaminhado aos Cuidados Paliativos?

A resposta não é uma receita de bolo, mas também não é difícil.  Eu costumo fazer algumas questões bastante simples para avaliar se determinado paciente tem indicação de uma abordagem pela equipe:

1. Ele(a) tem diagnóstico de uma doença incurável ou situação clínica que comprometa significativamente (e/ou irreversivelmente) sua qualidade de vida?

2. Ele(a) está apresentando um nível de sofrimento com complexidade maior do que a equipe médica que o assiste está habituada?

3. O impacto emocional/social da doença para o paciente e/ou familiares pode ser considerado além do normal?

4. O prognóstico de vida é limitado?

5. Uma abordagem multiprofissional se faz necessária?

Uma vez que você respondeu “sim” a qualquer dessas perguntas, está identificado possível benefício do paciente em ser encaminhado a uma equipe de Paliativos. Ao contrário do que muitos imaginam, o encaminhamento precoce pode ter impacto extremamente benéfico ao paciente, podendo inclusive melhorar seu tempo de vida. Embora sempre seja possível oferecer algum conforto a mais, a atuação das equipes de paliativos fica consideravelmente limitada quando o paciente é encaminhado já em sua fase terminal. O estabelecimento de vínculos afetivos e de confiança entre paciente, familiares e equipe é a ferramenta mais poderosa de trabalho em Cuidados Paliativos, e não pode acontecer sem que haja tempo hábil para isso. Esse é o principal motivo para o encaminhamento precoce, e esse suporte multiprofissional pode inclusive melhorar a adesão do paciente ao tratamento da doença, auxiliando no controle dos efeitos colaterais e prestando assistência quando intercorrências acontecem.

Nessa linha de raciocínio, o paciente pode ser encaminhado assim que é feito o diagnóstico de doença incurável, mesmo que ainda não apresente sintomas importantes relacionados a ela e que ainda tenha muitas opções de tratamento disponíveis.

Quanto ao momento adequado para o término da abordagem multidisciplinar, a resposta é bem mais simples: quando o paciente ou a família assim o desejar. Em geral, a desvinculação das famílias com a equipe só ocorre completamente algum tempo após o óbito do paciente, sendo comum familiares manterem contato com a equipe durante anos após a perda de seu ente querido. O vínculo que se estabelece ultrapassa os limites profissionais e frequentemente se baseia em amizade e gratidão, o que torna a atuação das equipes de paliativos ainda mais rica e prazerosa.

Desde quando

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