No Final do Corredor

histórias, experiências e lições de vida

25 de abril de 2015
Ana Lucia Coradazzi

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Como os Médicos Morrem?

Há alguns dias li um artigo emocionante, escrito pelo médico Ken Murray, da University of Southern California. No texto ele conta a história de um amigo, ortopedista, que alguns anos antes recebeu o diagnóstico de um câncer de pâncreas. Apesar de estar nas mãos de um grande cirurgião, especializado nesse tipo de câncer e extremamente capacitado para conduzir o caso, o ortopedista recusou o tratamento. Foi para sua casa, procurou ficar o máximo de tempo possível com sua família e otimizar sua qualidade de vida através do controle dos sintomas da doença. Alguns meses depois, ele faleceu em casa. Não recebeu quimioterapia, radioterapia ou tratamentos cirúrgicos. Nada.

O fato é que, por incrível que pareça e por mais incômodo que seja, médicos também morrem. E não gostam da ideia de morrer, tanto quanto qualquer outra pessoa. O que é diferente entre os médicos não é a quantos tratamentos eles têm acesso em comparação com os outros pacientes, e sim a quão menos tratamentos eles próprios se submetem. Médicos tendem a ser mais serenos e realistas quando encaram a possibilidade de morrer. Eles sabem exatamente o que vai acontecer, conhecem suas opções, e geralmente têm acesso a todos os tratamentos disponíveis. Mas partem suavemente, de forma quase que submissa.

É claro que médicos não desejam morrer. Eles querem viver. Mas eles sabem o suficiente sobre a medicina moderna para conhecer seus limites, e compreendem de forma profunda o que as pessoas mais temem: morrer em grande sofrimento e sozinhas. Médicos costumam falar sobre isso com seus familiares. Deixam claro que, quando for sua hora, não querem ninguém quebrando suas costelas na tentativa improvável de ressucitá-los. Muitas vezes, falam sobre isso poucas horas após eles próprios terem feito exatamente isso com seus pacientes (eu mesma já fiz). A maioria dos médicos já viu (e praticou) demais o que chamam de “futilidade médica”, que acontece quando é usado todo o arsenal mais moderno disponível para uma pessoa gravemente doente, que está claramente no final de sua vida. Eles já viram pessoas sendo cortadas, perfuradas com tubos e agulhas, colocadas em máquinas barulhentas (e sedadas para suportar a tortura), além da infinidade de remédios correndo em suas veias. E morrendo poucos dias (até horas) depois. Eu já ouvi de colegas angustiados frases como: “Prometa-me que, se um dia eu estiver nessa situação, você vai me deixar partir. Não deixe que façam isso comigo.” E é assim mesmo.

Mas, então, por que é que eles fazem isso aos seus pacientes? Por que fazem com os outros o que abominam para si mesmos? O grande problema aqui é também a origem de praticamente todos os problemas do mundo: a má comunicação. Uma família que vê uma pessoa querida em grande sofrimento frequentemente faz pedidos do tipo “Doutor, faça tudo o que puder por ele”. O médico, por sua vez, escuta “Por favor, use todas as estratégias que você conhecer nesse caso”. E o pesadelo começa. Na verdade, a tradução do pedido angustiado da família possivelmente era “Doutor, faça o que puder para aliviar o sofrimento dele. Ele não merece viver dessa maneira.” A abordagem, provavelmente, seria bem outra. A mesma confusão pode acontecer quando o médico pergunta ao seu paciente se ele deseja continuar com o tratamento. O paciente pode entender que, se disser “não”, será abandonado pelo médico e morrerá exatamente do jeito que o apavora: sofrendo e sozinho. O mesmo paciente poderia responder com um grande e aliviado “sim” se ouvisse uma proposta do tipo “A sua doença não está respondendo aos tratamentos que temos tentado, e eles estão deixando você ainda mais debilitado do que o próprio câncer. O que você acha de pararmos de nos preocupar com sua doença e focar nossos esforços para melhorar ao máximo a sua convivência com ela?”.

O fato é que todos nós, pacientes, médicos e familiares, sofremos as pressões do sofrimento extremo, do tempo, do sistema de saúde, da própria formação médica e das crenças culturais na hora de tomar uma decisão drástica. Mas somente os médicos sabem o que acontece depois. Eles tendem a não aceitar tratamentos excessivos e com poucas chances de sucesso. Muitos buscam formas de morrer em suas próprias casas, esmerando-se no controle da dor e outros sintomas, buscando significado para suas próprias vidas e oferecendo o melhor de si às pessoas a quem amam. A própria literatura médica oferece base para esse tipo de decisão. Estudos têm demonstrado que pessoas com câncer hospedadas em hospices ou acompanhadas por serviços de Cuidados Paliativos vivem mais (e melhor) do que aquelas com o mesmo diagnóstico que recebem tratamentos oncológicos até o final da vida.

Cabe a nós, médicos, oferecer aos pacientes a informação que nos é disponível. Cabe a nós permitir que eles compreendam que a morte não é algo a ser evitado a todo custo, e sim um momento da vida, como qualquer outro. Em muitas situações, ela simplesmente não pode ser evitada, apenas adiada, e o custo disso pode ser  um sofrimento intenso e desnecessário. O “prolongamento da vida” pode, na verdade, ser apenas o prolongamento do processo de morrer. Muitas vezes, com o paciente em grande sofrimento e sozinho. Um motivo e tanto para que os médicos não queiram passar por isso.

Médico doente

 

227 thoughts on “Como os Médicos Morrem?

  1. Penso que devemos sempre tentar enquanto houver esperança do que fazer. Eu não gostaria de deixar minha vida sem tentar. Mas muitas vezes cabe ao médico nos dizer se ainda há o que fazer. Acho que o problema é que nem sempre encontramos bons médicos, da mesma forma como existem bons e maus profissionais em todos os lugares. E eu nem acredito que eles [os profissionais ruins] ajam por maldade, as vezes o medico tem tanta coisa passando por sua cabeça que não percebe algum detalhe, esquece de um fator importante, passa batido por alguma medicação que faria diferença. E depois que tudo acaba, se o médico para e pensa com mais frieza sobre o caso, vê que poderia ter feito algo diferente. Ou evitado algum sofrimento. Afinal, somos todos humanos e passamos por problemas também.
    Sou veterinária e sei o quanto é difícil uma rotina de médicos, mas nós veterinários temos por lei uma permissão que os médicos não tem, a de executar a eutanásia. Não que seja algo fácil, e inclusive é uma situação muito triste, mas evita sofrimentos. As vezes desnecessários.
    Seu texto é muito instrutivo e me fez refletir bastante. Somente quem tem na rotina todo esse sofrimento consegue ver um jeito menos doloroso de terminar sua vida. Eu vejo muito que a pessoa que se apega no mundo físico com unhas e dentes, mesmo sendo orientada pela dificuldade da situação, só consegue deixar ir depois de estar exausta.
    Ainda não sei qual seria minha reação frente a morte. Acho que ainda me vejo muito jovem e com tanta coisa pra fazer, que não consigo vê-la tão próximo assim…

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    • São sempre decisões difíceis, Rafaela. Justamente porque cada ser humano é único e enfrenta as situações de um modo muito peculiar. Acredito que não existe fórmula mágica. A questão é que, se seguirmos fielmente o paradigma de sermos sempre absolutamente honestos (com os pacientes e conosco mesmos) e exercitarmos a empatia (nos colocarmos no lugar do outro), as chances de errarmos diminuem muito. Além disso, o exercício da comunicação adequada é crucial para entendermos a necessidade e expectativa do paciente e da família. Nada fácil, mas altamente gratificante. Bjo!

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      • A honestidade e a empatia, junte-se a humildade. É, muitas vezes necessário ao médico, se reconhecer como falível e humano que é e, justamente para evitar deixar passar algo que poderia ter ajudado ou aliviado, possa buscar em outros colegas suas opiniões para com cada caso. Falo isso, pq as vezes, em minhas obeservaçoes, percebo que alguns (médicos) são tão confiantes que sabem de tudo que não buscam um outro ângulo, um outro olhar….

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    • São situações muito delicadas, Rafaela, e são difíceis justamente porque são únicas. Cada ser humano é totalmente único em suas expectativas e emoções. Não há uma fórmula mágica que nos impeça de cometer erros. Mas o convívio diário com o sofrimento dos outros pode ser um aprendizado valioso. Às vezes, vejo mais sofrimento em um dia do que outras pessoas vêem durante toda a sua vida. E dói. Por isso é preciso aprender a lidar com isso, e não ignorar o sofrimento. Fingir que a morte não existe, ou que não causa sofrimento, proporciona um alívio rápido, mas totalmente passageiro. Com o tempo, esse tipo de atitude só nos deixa menos humanos – e portanto menos felizes. Muito obrigada pelo comentário! Bjo!

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    • O problema é que a medicina ganhou em qualidade mas perdeu em profundidade, a razão de haver mais mortes com câncer.

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    • Minha mãe tem Alzaimer e é como um vegetal. Sofre reclama maldiz,apesar das medicações caras … Não reconhece quase ninguém é muito triste e sofrido .Acho que não existe vida consciente mais apesar de todos os cuidados!

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    • Também tenho visão espiritualizada da morte; é um momento especial e necessário. Quanto à forma do desencarne, é óbvio
      que desejamos o menor sofrimento antes da partida, embora o maior sofrimento para muitos não é o da carne, mas moral.
      Devemos seguir, praticando e oferecendo o nosso melhor, afinal, escolhemos ser Médicos por livre arbítrio; não cumprir o que nos propusemos fazer, mesmo tendo oportunidade e condições favoráveis, pode ser interpretado como “Desperdício de oportunidades”. O trabalho Médico descompromissado é um atestado que assinamos e juntamos à pasta que a vida será a grande auditora. Não sou melhor e nem tenho direito de julgar, mas quando temos oportunidade de usar todo conhecimento adquirido nos livros e na vida para privilegiar o bom trabalhador, não podemos ser omissos. Ser justo em uma sociedade que ignora tal valor pode lhe trazer muitas dificuldades, todas transitórias como esta vida, mas a semente plantada germinará e seus frutos não permitirão que seus bons exemplos sejam esquecidos.

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    • Quando nascemos ganhamos de Deus, ou seja lá como chamar o responsável por tudo isso, uma coisa chamada instinto de conservação, que nos é dado para protegermos nossas vidas. Esse presente surge quando nossa vida está em perigo e nos faz recuar diante do perigo de morte. Uns chamam de medo. Alguns não conseguem senti-lo, vão em frente e tiram sua vida. Podemos chama-los de suicidas inconcientes. Quanto a esse tipo de médico (que acredito não serem muitos), simplesmente tornaram-e insensíveis pelo número de vezes q viram pessoas morrerem, mas ainda assim tentam ter uma melhor qualidade de vida, mesmo sabendo q vão morrer.

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  2. Ja saí bem de AV Isquemico,ablaçao cardiaca,por fibrilaçao,mas se fosse Ca de pancreas,ia para casa ver as crianças……

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  3. Hoje penso assim, exatamente como o texto diz, principalmente se a doença está num estágio avançado, como usar medicamentos tão terríveis que debilitam ainda mais o paciente?
    Só que existem dois lados, a consciência dos familiares, como não tentar e simplesmente deixar acontecer, aí fica aquele sentimento, e se tivéssemos tentado?
    Talvez tivesse curado?
    Agora quando o paciente realmente quer abrir mão do tratamento……é muito complicado, são decisões muito sérias!
    Passei por isso como meu marido, ele acreditava no tratamento, eu também, mais foi em vão, muitas complicações, justamente por conta deles.
    Se um dia passar por isso, talvez faça como o médico do texto.

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  4. Matéria emocionante. Respeito e admiro muito todos os profissionais da área da saúde. Trabalhar nesta área não é fácil. Aprendemos a valorizar á vida e a respeitar as pessoas. Beijos…

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  5. Olha fiquei maravilhada em ler este texto que sem querer veio a mim, minha mãe sempre comentava que não queria morrer no hospital…..68 anos…ela tinha diabetes, obesidade morbida, estava quase cega com muita dificuldade de locomoção, teve um acidente domestico, bateu muito forte a cabeça…o liquido do cerebro vazou na meninge e ela teve miningite, ficou 4 dias no hospital…na uti….mas não ficou em coma….meu pai pediu para levar ela para casa….os médicos ficaram muito espantados e até horrorizados…..cuidamos dela em casa….com maior higiene, alimentação, todo o conforto que vcs imaginam…..ela tinha momentos bem lucidos e outros não….nos revezavamos para cuidar dela…..ela se alimentava bem…aceitava com muita facilidade o que era oferecido e os remédios….isso levou 3 meses…do nada ela começou a recusar os alimentos, os remédios, chamamos o médico da familia… ele queria internar, meu pai não aceitou, ele passou novos medicamentos….e minha mãe conversava com a gente de boa….conhecia todos nós, os netos…gostava que os netos brincava com ela na cama…..ela foi ficando fraca…e depois de 15 dias faleceu….super tranquila….a gente percebia que ela não tinha dor, não tinha dificuldade para respirar…..simplesmente parece que ela foi se apagando…e os orgãos dela funcionarão até o dia do seu falecimento….nós trocavamos xixi e as fezes…eu como filha mais velha respeitei meu pai, sua decisão….e em momento algum percebi que minha mãe estava sofrendo….pois ela ajudava a gente virar ela na cama….enfim….ela foi embora…e nos deixou uma exelente recordação…..eu estava presente quando ela parou de respirar….não teve manifestação alguma que estivesse com falta de ar, nada….que eu acredito que ela sabia sua vida estava no fim…. ela só não conversou na sexta feira e no sabado de tarde…..olhou para mim e para meu pai……suspirou fechou os olhos e partiu…Agradeço a Deus e a autora deste texto….pois não é legal ver a quem a gente ama sofrer….assim ela partiu com o aconchego de seu lar…a saudades dói….mas meu coração sente paz e conforto de saber que minha mãe não sofreu…..ela brincava quando estava acamada e chegava visitas….ela dizia….eu estou de férias…….beijuuuussssss muito obrigado…. ❤

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    • Emocionante a sua história, Sueli. É realmente uma bênção quando tudo acaba dessa forma tranquila, em paz, respeitando a vontade da pessoa que se vai. Parabéns pela coragem, dedicação e respeito que você teve em relação à sua mãe. Ela deve ter sido uma grande mulher. Abraços!

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    • É SE PARECE UM POUCO COM A MINHA HISTORIA, MINHA MÃE TINHA SETENTA POR CENTO DA VÁLVULA PULMONAR OBSTRUÍDA, TINHA SÓ SESSENTA ANOS, MAS Á OPÇÃO FOI DELA OPERAR OU NÃO, ELA NÃO QUIS. MORREU ONZE MESES DEPOIS DO DIAGNOSTICO, EU E MEU FILHO SOMOS DA ÁREA DE SAÚDE, MEU FILHO FOI QUEM SOCORREU ELA QUANDO CHEGOU NO PRONTO SOCORRO ELE PEDIU AO PLANTONISTA PARA NÃO FAZER MANOBRAS DE RESSUSCITAÇÃO, POIS JÁ ERA ANUNCIADA SUA MORTE, E SEMPRE ELA FALOU QUE NÃO ERA PRA FAZER NADA POIS SABIA QUE NÃO IA SUPORTAR, BEM FOI MUITO DIFÍCIL OS FAMILIARES NÃO ENTENDER A NOSSA CALMA, MAS NOS ESTAMOS TRANQUILOS POIS SABEMOS QUE NESTE SISTEMA NÃO TEM CURA, ATÉ QUE O GRANDE CRIADOR ACABE COM TODA DOR E MORTE, POIS NÃO NASCEMOS PARA MORRER ! REV:21- VERS:03 E04 .LINDO ESTE DEPOIMENTO, OBRIGADA MUITO OBRIGADA, SUELI UM ABRAÇO…

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    • Lindo texto Sueli !
      Encontro-me com “água nos olhos”!
      Parabéns!

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    • De beleza inesplicavel tudo o que foi lido aqui.Verdadeiro, dificil mas belo, caridoso, impressionante.Gostaria, que quando meu momento chegasse eu não estivesse sòzinha, e sim com as pessoas a quem amo e acredito que também me amem.

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    • Muito emocionante esta tua história! Parabéns a vc e ao teu pai, por ter proporcionado amor e carinho a tua mamãe nos seus últimos dias! Vocês serão eternamente abençoados por esta atitude!

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  6. Comovente essa história, é uma decisão difícil.
    Já vi gente em estado terminal ser curado por DEUS…. Deus pode curar você, só precisa ter fé

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    • -Q É ISTO,ANDERSON?!-PÉ NO CHÃO!!!!!-OLHA SOBRE O Q ESTÃO FALANDO?!-QUANDO Ñ HÁ MAIS NADA O Q FAZER…-ENTENDEU?-ALGUNS RAROS MILAGRES JÁ ACONTECERAM.-CONFIRMADOS PELAS PESSOAS ESPECIAIS-Q SÃO MÉDICOS-MAS COMO DISSE:-SÃO RAROS.-E SÃO MILAGRES…

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      • Que pena, Neuza Maria. O comentário do rapaz não tira em nenhum momento o mérito do que está exposto no texto e nos comentários. Você o atacou verbalmente como se ele estivesse se colocando como o “rei da razão” – o que não foi o caso – só porque ele citou “fé”, “milagre” e “Deus”. E mesmo que você tenha admitido que pode acontecer, deveria pensar que ele expos seu ponto de vista sem desmerecer ninguém e com o coração aberto. Mais uma vez digo: uma pena mesmo, que o comentário não foi respeitado, como todos os outros. Sou um dos “raros” casos, como você assim frisou e sou um milagre vivo. E tive e tenho muito tempo à minha frente para viver e viver bem e feliz. Agradeço a Deus e a fé de meus pais.

        PS: Amei o texto pela coragem e delicadeza com que foi escrito.

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  7. Eu sou técnica em enfermagem, e trabalho no setor de oncologia geral, e Hematologia oncológica,no HUCFF é muito triste ver o sofrimento desses pacientes , Concordo com a matéria publicada.

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    • Perdi uma irma ainda moça p um AVC. Quando trata se de familia o emocional fala mais alto. Até porque o hospital que a levamos por esta mais próximo não prestou assistência devida. TC não realizada aparelho quebrado e UTI móvel não havia pelo SUS. Partícular só conseguimos após 20h. Transferimos seu corpo para uma unidade partícular sem atententarmos para essa constatação tamanha emoção e desejo de salva la. Triste constatação. Concordo com o texto quando se percebe que o tratamento não vai trazer cura e só prolonga o sofrimento Quando o cliente não tem o tratamento devido a tempo e a hora fica a interrogação…se tivesse o tratamento devido . Mas não gostaria de forma alguma ficar com um familiar vegetando em cima de um leito. Sou técnica de enfermagem e assisto com tristeza clientes que passam de um a três anos em estado vegetativo no hospital definhando cada vez mais até a morte!

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      • Lamento a experiência com a sua irmã, Márcia. Seja qual for a situação ou motivo, é sempre difícil perder alguém muito querido, principalmente quando ficam dúvidas sobre o tratamento oferecido, e sobre se o desfecho poderia ter sido diferente. Mas o que vejo é que, mesmo nessas situações traumáticas, as coisas acabam seguindo seu rumo e as pessoas aprendem a conviver com a saudade. Torturar-se com dúvidas e angústias não traz quem amamos de volta. O que os mantém perto de nós são as lembranças e aprendizados que eles deixaram. Um grande abraço!

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  8. Penso que como filhos que fomos carinhosamente e amorosamente criados, devemos nesses momentos finais de nossos pais termos sensibilidade para entende-los, trazendo-os o máximo de amor e aliviando-os da dor e do desconforto através da medicina.

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  9. Texto com uma linguagem simples, que trata uma das dores que o médico enfrenta. Quem nunca parou pra pensar como será o dia que iremos perder nossos pais? Nosso marido? Filho… Meio instigante

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    • Pensar nisso já é um grande passo, Fabiane. A maioria de nós passa a vida fingindo não saber que ela acaba. Isso só torna tudo mais doloroso. Um abraço!!!!

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  10. Bom dia estou lendo esse artigo que minha esposa mandou aqui no lado do meu pai na UTI, acometido de um câncer de pulmão com metástase óssea. Ele pediu no sábado para ir para casa e nós estamos providenciando atender o pedido dele, ele não quer ser submetido a ventilação mecânica e outras terapias invasivas como relatado no texto e nós concordamos. Mas me bate um sentimento de impotência. Mas Deus sabe de todas as coisas e estamos nos preparando para dar a ele o maior conforto possível em casa. Ler o artigo e os depoimentos ajudou a aliviar um pouco meu coração. Obrigado e que Deus nos abençoe a todos.

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    • Juliano, sinto muito pelo seu pai. Sei bem como é a sensação de impotência, e o quanto é duro se submeter ao que a vida nos impõe. Às vezes, é inacreditavelmente doloroso. Mas existem situações na vida pelas quais não é possível passar sem algum sofrimento. Não há como ver alguém que amamos partindo e não sentir o coração entristecido. O que podemos fazer é diminuir ao máximo o sofrimento adotando atitudes que sejam compatíveis com nossas crenças mais profundas. O respeito que vocês têm pelo seu pai é evidente em cada palavra sua. A admiração por ele também. Então, por que não agir de acordo com a vontade dele? Não vejo maior demonstração de respeito e admiração do que compreender o ponto de vista dele e aceitar as escolhas que ele fez. Não elimina a dor, de forma alguma, mas alivia. E impede que, depois que ele descansar, haja espaço para qualquer tipo de arrependimento.
      Fiquem em paz, que o final da vida do seu pai seja cheio de dignidade e tranquilidade, para todos vocês. Um grande abraço!

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  11. Momento delicadíssimo, a vontade de ver menos sofrimento às pessoas que amamos, não depende só de nós e sim de vários fatores e conhecimento dos envolvidos.

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    • Concordo, Gildo. É impossível simplesmente ter uma opinião formada que sirva para todas as situações, todos os julgamentos. Creio que o mais importante é sempre agirmos de acordo com nossos princípios éticos mais profundos, com respeito, com competência.

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  12. Achei muito bom o texto, me parece que hoje não se permite morrer.
    Há 20 anos atrás quando meu pai morreu o padre nos fez pensar a respeito.
    Falou que deveríamos agradecer aquele momento, a sorte de ter um pai.
    Pessoa presente em nossas vidas e deveríamos pensar quantos nunca puderam chorar pelo seus pais, pois nunca o conhecera.
    Quando minha mãe morreu de câncer no pulmão, aceitamos de forma branda e não saímos louco atrás de supostas cura, procuramos dar o máximo de carinho e conforto que podíamos e respeitar seus 73 anos de vida.
    Ela era uma pessoa jovem, bem disposta e mãe amável, mais uma vez agradeci a Deus pela oportunidade de ter nascido sua filha.
    Penso que todos nós temos nossa hora e a morte nos torna seres humanos melhores com mais empatia. Claro que depende do caso temos procurar recursos mas também é necessário respeitamos os designo de Deus.

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  13. olá…trabalhei durante muitos anos com pessoas que tinham câncer.Gosto de trabalhar com oncologia.Sempre que perguntavam onde trabalhava e quando dizia que era em um hospital oncológico…logo expressavam coisas ruins,ambiente pesado.Mas, eu nunca pensei desta forma,pelo contrario …aquele lugar era como se fosse minha segunda casa.Quando entrei ali..só sabia o que era câncer na teoria e por necessidade vi de perto…o quanto muitas pessoas só dão valor a vida quando ela esta debilitada.Entrei lá uma menina e sai uma mulher.Muitas pessoas me perguntavam…o por quê…do meu gostar…posso dizer com a minha vivencia que pelo menos 80% das pessoas que trabalham com esta doença são mais humanas,mais carinhosas com seus pacientes,valorizam mais a vida…ao ver e acompanhar tão de perto a morte.A oncologia consegue fazer com que o profissional,mesmo que ele esteja com mil problemas em casa,dê o seu melhor.
    É no caso dos pacientes terminais …é desafiador…arrancar um sorriso de uma pessoa que tem consciência de que esta morrendo…sabemos que desde de o momento que nascemos começamos a morrer …porém agente se esquece disso…

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    • Obrigada pelos comentários, Fernanda! Você disse uma coisa que me chamou a atenção: como é desafiador arrancar u sorriso de alguém que está morrendo. É exatamente este o desafio. O sorriso, nessa hora, é a comprovação de que conseguimos devolver a essa pessoa o seu significado, seu valor, sua importância no mundo. O que assusta as pessoas que estão morrendo dificilmente é a morte em si, e sim a sensação de que serão esquecidas, e de que suas vidas foram em vão. Belas palavras! Um abraço!

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  14. Republicou isso em e comentado:
    Lindo Texto da Ana Lucia Coradazzi oncologista clínica.

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  15. Não sou médica mas acredito que nem sempre fazer tudo é o melhor. As pessoas não estão preparadas para verem seus entes queridos morrerem, o avanço da medicina trás esta falso idealismo que somos eternos. Nem os próprios médicos estão preparados para falar sobre morte … E essa conversa acaba sendo sempre adiada e assim prolongando sofrimento. O cuidados paliativos vem crescendo no sentido de fazer esse cuidado o qual nenhuma outra especialidade o faz. Minha mãe está em acompanhamento nos cuidados paliativos a 2 anos e foi a melhor decisão que tomei para nós duas. Hospital só em último caso, ficará sempre conosco até o fim porque entendemos que isso é o melhor para ela ao lado da família que a ama !

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    • Obrigada pelos comentários e por compartilhar a sua experiência no blog, Ju! Vejo cada vez mais pessoas tomando esse tipo de decisão, e raramente alguém se arrepende. Um grande beijo para vcs duas!

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  16. Minha mãe teve câncer de ovário e, durante o tratamento um AVC, mas foi de uma resiliência incrível e viveu durante 6 anos como cadeirante. No último ano de vida arrumamos um médico, Dr. Carlos Márcio, que pensava exatamente assim, se preocupando somente com a qualidade de vida que minha mãe deveria ter. Ela morreu em casa, junto dos filhos e sem sofrimentos externos.
    Concordo plenamente com seu texto.

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    • Obrigada por compartilhar a sua história, Andreia! Sei bem como é difícil lidar com uma situação como essa, mas também sei como é reconfortante ter a certeza de ter tomado as decisões certas. Um grande abraço a todos vocês!

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  17. Belo texto! Não sou médica mas penso de forma semelhante . Passei por uma situação com um ente da família e, como aprendi ! Qto coisa pude perceber! Ela chegou ao hospital com fortes dores de cabeça e saiu do mesmo hospital para o cemitério dois meses depois. Os procedimentos feitos com ela foram altamente incásicos e já desnecessários. Ela foi diagnosticada com câncer na cabeça, já metastase de um no pulmão. Teria , segundo os médicos , apenas dois meses de vida.fizeram uma cirurgia na cabeça pra colher material p poder dar início à quimio. Dessa cirurgia ela não saiu mais da UTI inconsciente. Tudo isso com pranto de saúde cobrindo todas as despesas. Pude ver então, o comércio que existe por trás desse “prolongamento da vida” milhões de reais para os hospitais, médicos e laboratórios. Quanto dinheiro e quanto lucro dessa Mafia que no desespero das famílias exploram, roubam etc etc! Portanto fica difícil humanizar a morte, isso não da lucro!!!!!!!!

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    • Eu tive aos 25 anos uma trombose venosa profunda que foi dignosticada 8 dias depois ,quase morri ,mas aqui estou e aos 26 um ca de tireoide e tive de fazer a retirada total e apos um ano fazer uma radioterapia ,tomei iodo radioativo.e aqui estou ,com 66 tive cancer de pele e hoje aos 68 ,aqui estou ,os tratamentos sempre deram certo ,graças a Deus .tenho muitas dores nas pernas e cansaço ,mas vou levando ate ver o proposito de Deus .So peço a Deus ,nao quero ficar em cima de uma cama ,talvez agora nesta idade faria como os medicos ,basta.

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  18. ”’Preciosa é aos olhos do Senhor,a morte dos Seus santos.”’

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  19. Achei muito interessante o pensamento s
    obre o proprio divâ, mas para mim a morte faz parte da estrada chamada vida,, e acho muito importante o pensamento posterior a este episodio , não terminal .. Posterior a isto entram as crenças , onde cada um que fica, pensa e reflete sobre os caminhos que o seu ente querido ira trilhar.. Como cristão penso como Paulo para mim viver e lucro e morrer é Cristo…

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  20. Republicou isso em Ataque Aberto.

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  21. Há um ano atrás recebemos um diagnóstico da minha mãe de Mieloma Múltiplo, um câncer incurável na medula o qual só tem apenas tratamento. Na época ficamos desesperado com a difícil situação e demos graças a Deus encontrarmos nesse momento médicos dispostoS a lutar conosco pela vida Preciosa da minha mãe. Eu respeito muito a medicina, mas minha fé em Deus é maior do que qualquer estudo científico e a última palavra sempre será a do Dono da vida. Hoje minha mãe está se recuperando de um transplante de Medula e na medida do possível se encontra “bem” pois as reações e efeitos colaterais são devastadores. E o ” amanhã ” será sempre desconhecido, o que importa é termos a esperança que Deus é sempre conosco e nunca nos abandonará. Parabéns pelo texto, ele é incrível, nós pacientes as vezes somos egoístas com médicos por não aceitarmos as peripécias da vida. Amei ver os comentários, pois as vezes achamos que sofremos sozinhos.

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    • Oi, Simone! Fico muito feliz pela boa evolução que sua mãe vem tendo. Espero que ela se recupere logo, o transplante realmente não é uma fase fácil. E você tem toda razão quando diz que a última palavra sempre será do Dono da Vida. Nós médicos somos apenas instrumentos capacitados para ajudar cada um em seu caminho. Um grande abraço!

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  22. Diálogo fantástico! Todos os participantes com histórias reais e vividas intimamente. É horrível pensar que um dia vamos morrer, mas por experiência própria em quatro situações familiares eu desejei que a morte libertasse meus familiares de tanto sofrimento em vão. Se fosse médica, tenho certeza que seria favorável à prática da eutanásia, o que por sinal, me parece, ser condenada somente por motivos de ordem religiosa. Não vou explicar em detalhes, mas vi a morte de meu irmão em virtude de um tumor no cérebro: depois da batalha, a agonia final (lenta e cruel) ; meu pai que sempre teve doenças relacionadas ao pulmão, estava com tuberculose e morreu de insuficiência pulmonar, mas não sem antes definhar e sofrer lucidamente a dor de saber que estava sob a morte iminente; um filhinho temporão que minha mãe teve nasceu sem o orifício anal, mas precisou sobreviver por um mês sofrendo sabe lá o quanto nessa condição; finalmente, minha mãe que depois de sofrer do mal de Alzhaimer por dez anos, finalizou sua vida agonizando 25 dias numa cama de hospital, sendo vítima dos melindres do hospital que, já no primeiro dia da internação, deixou-a gemendo de dores no plantão da noite porque o médico do plantão esquecera de prescrever a injeção de morfina. Ainda assim, valorizo muito a vida, mas morrer, em certas circunstâncias, chega a ser um prazer.

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    • Oi, Rosângela! Eu sinto muito que vocês tenham tido que enfrentar tanto sofrimento em todos esses casos. É justamente para evitar isso que existem os Cuidados Paliativos, e a expansão dessa especialidade tem conseguido promover a dignidade e o conforto no final da vida. A crença de que a morte é um fracasso, no entanto, ainda é muito presente no Brasil, tanto entre médicos quanto entre os familiares. Há uma frase de Rubem Alves que eu adoro, e que resume em o que penso sobre isso: “A ideia de que a Medicina é uma luta contra a morte está errada. A Medicina é uma luta pela vida boa, da qual a morte faz parte.”. Um grande abraço!!

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  23. Pingback: Médicos, demasiadamente humanos - Blog ProDoctor

  24. Por quê os médicos apresentam este comportamento? Hoje com a supremacia da tecnologia sobre o bom senso, a observação clinica e praticamente com a extinção da boa relação médico-paciente, muitas vezes o médico se sente na obrigação de usar certos recursos e procedimentos que muitas vezes sabe ser infrutífero. Mas se ele não usa ou não indica, posteriormente ele pode ser cobrado por isto. E, outro detalhe, na maioria das vezes estes recursos e procedimentos são caríssimos. A grande vantagem de ser médico é saber o que você vai permitir que se use em você ou em seus familiares.

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    • Talvez essa seja a única vantagem do médico, José Sebastião. Mas também é seu grande tormento. Conhecer as limitações reais da medicina, da mesma forma que permite uma atuação mais sensata junto aos pacientes, torna-se uma grande angústia quando se trata de nós mesmos ou daqueles a quem amamos. Sabemos no que vai dar, e nos cabe impedir o sofrimento desnecessário. Não adotar determinado tratamento, no entanto, é muito mais fácil quando essa decisão só diz respeito a nós mesmos. Quando se trata da vida alheia, é uma tarefa hercúlea tomar esse tipo de decisão, principalmente com nossa formação tão deficiente em termos de comunicação. Um grande abraço!

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  25. Penso da mesma maneira, a morte faz parte da vida.É bom morrer com dignidade aceitando o momento.É cruel o que se faz hoje para prolongar a vida ,sem qualidade com sofrimento. Ninguem é eterno , podemos escolher partir suavemente!

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  26. Seria mais interesse se o título fosse diferente, tipo: “COMO OS SERES PARTEM.” Talvez até fosse bem mais interessante. Mas não, o texto remete à morte de médicos, das pessoas, esquecendo de citar o mais importe.
    E o que é mais importante?
    Os autores tentam através deste texto autoajuda explicando às dores, sofrimentos, angústias e ,inclusive, crenças. É exatamente nesse ponto que mostra apenas o lado físico do ser. Não seria mais interessante se o autor(a) induzisse para a reflexão de, o porquê somos o que somos e/ou porquê estamos aqui?. Será mera coincidência tudo que acontece com cada um de nós, independente do que fazemos com nossa vida?
    Já paramos para pensar porque tinha que ser assim?
    Não consigo ver com serenidade quando diz que, os médicos “sabem o suficiente sobre a medicina moderna para conhecer seus limites […]”. Como assim saber o suficiente? Me atrevo dizer que, se saber o suficiente é suficiente, então foi uma opção insuficiente. Pode ser que não queira sofrer por antecipação, por saber de “quase todos” os procedimentos que possa conhecer.
    Certa vez a médica insistia em me dizer que o melhor para o meu filho que estava na CTI, era “eu dar conforto para ele”. Daí perguntei a ela: Porque não seja mais direta e me diga quer minha autorização para você desligar o respirador?

    Dias desses li também uma postagem com título e o conteúdo parecido, que titulava: “AS MÃES NÃO DEVERIAM MORRER.”
    Não entendo como as pessoas preferem o sofrimento ao conforto. Porque não utilizar e praticar a expressão partir em vez de morrer.

    Respondendo a pergunta: O que é mais importante? O mais importante não é o que somos, mas como somos e o que fazemos com a nossa vida, enquanto estivermos o controle dela. E, quando as pessoas perceberem que não somos os donos de nós mesmos, menos ainda, que morrer significa o fim do ciclo, e trocar o verbo morrer por partir, que é o que normalmente acontece com alguns seres após cumprir sua missão, à vida se será menos complicada e mais bela , nos tornaremos mais espírito e menos físico.

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    • Lindos comentários, a morte é sempre um mistério e para cada um de nós DEUS tem um propósito, ontem sepultamos meu irmão, 55 anos que foi diagnosticado um câncer no estômago, minha cunhada e filhos (02) sempre optaram e tentaram prolongar a sua vida por fazer o tratamento que o médico passava, lembro que iniciaram o tratamento com um profissional, depois de alguns meses de tratamento, não contente trocaram de médico que o tratou até o fim de sua vida, a família queria tanto prolongar a vida de meu irmão que nos últimos dias ele sofreu muito com dor, dificuldade de locomoção, dificuldade de respirar e outras complicações mais.
      Lendo esses comentários faço uma pergunta: Será que valeu a pena todo esse esforço de minha cunhada e filhos em prolongar por alguns dias ou meses a vida de meu irmão?
      Abraço!!

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      • Lidar com a partida de alguém querido é sempre difícil, mas temos muitos meios de diminuir o sofrimento nessa hora. Um deles é compreender a morte como parte da vida, e resignar-se nas situações em que ela é realmente inevitável. Esse talvez seja o julgamento mais difícil de fazer. Na hora da dor, é difícil clarear os pensamentos e compreender as perspectivas reais da situação. É por isso que não julgamos as decisões das pessoas no fim da vida. Nosso papel é orientar, apoiar e aliviar seu sofrimento da forma como for possível.
        Obrigada pelos seus comentários, principalmente num momento tão delicado da sua vida. Um grande abraço a todos vocês.

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  27. Acompanhar este depoimentos nos faz refletir.Viver é maravilhoso,mas morrer com dignidade é essencial.Só Deus sabe oque nos é designado.

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    • Concordo, Angela. Obrigada!!

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      • Minha opinião é exatamente como texto. Mas sinto nas pessoas quando me expresso sobre isso, um certo desconforto,e uma atitude de desconforto !

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      • É assim mesmo, Vanilda, a perspectiva de que um dia morreremos é desconfortável, e não há nada de anormal nisso. Somos humanos, e conviver conscientemente com nossa finitude é o preço que pagamos por sermos inteligentes (nenhum cachorro se angustia com a perspectiva de morrer, certo?). Mas pensar na morte como algo natural, falar sobre ela, fazer um esforço constante para eliminar nosso medo, sem dúvida permite que possamos ter mais tranquilidade quando nossa hora chegar. Obrigada!!

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  28. Lindo texto. Minha mãe faz tratamento oncológico há quase dois anos. Felizmente ela se encontra bem (dentro de suas condições). Concordo plenamente com a aplicação de Cuidados Paliativos, proporcionando assim, uma “partida” suave, afinal, a morte faz parte da vida.

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    • Exatamente, Denilson. Sabe, o grande escritor Rubem Alves certa vez resumiu lindamente a essência dos Cuidados Paliativos: “A ideia de que a Medicina é uma luta contra a morte está errada. A Medicina é uma luta pela vida boa, da qual a morte faz parte.”. Bem isso, não? Um abraço!

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    • É exatamente isso, Denilson. A partida não precisa ser traumática, em especial nos casos em que a morte é “anunciada”, como nas doenças terminais e mesmo na velhice. São condições que nos dão tempo para nos prepararmos para a partida. Só precisamos aceitar que nossa vida é finita, e que nem sempre está em nossas mãos o nosso prazo neste mundo. Obrigada pelas palavras! Grande abraço! (e outro para sua mãe!)

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  29. Texto admirável. De fato precisamos entender a morte ou melhor o que a vida nos reserva. Deus, sim, nos ofereceu uma oportunidade para sermos gerados e um corpo com um prazo de vencimento em torno de 80 anos, se for bem cuidado durante a vida. Às vezes nós nos descuidamos e algumas peças entram em parafuso e começam a desgastar antes do prazo fatal. Então vem os remédios e seus efeitos colaterais até atingir outros órgãos, complicando todo o nosso corpo e acabamos partindo antes do prazo determinado. Com certeza, Deus não quis esse fim nem tampouco determinou brincar com nosso corpo suprindo-o com inúteis remédios. Temos que compreender que somos os únicos causadores dos nossos problemas e temos limites de vida. Abraços

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  30. pois é, QUANDO EU DISSE AO MÉDICO QUE NÃO TOMARIA O MEDICAMENTO, ELE ME CHAMOU DE SUICIDA E DISSE QUE DALI CINCO ANOS ELE ESTARIA BEM E EU NÃO!!!! RI NA CARA DELE!!!

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    • É, Alessandra, às vezes é difícil para nós, médicos, compreender as decisões dos pacientes, principalmente se elas são contrárias ao que nós mesmos faríamos. Isso tem mudado muito. Hoje já temos médicos mais bem preparados para se relacionar com os pacientes de forma mais coerente, atuando como parceiros e não como donos da verdade. Até porque, em termos de verdade, cada um tem a sua! Um abraço!!!

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  31. Passei por AVC isquemico quatro vezes com internaçoes de tres dias em cada caso. Meu estado emocional me conduziu outras 22 vezes na emergencia com os mesmos sintomas,mas alarmes Falsos,puro descontrole emocional .Comecei a refletir sobre tudo e retomei a vida. Mesmo aos 62 anos tenho condiçoes fisicas previlegiada. Voltei a fazer tudo que fazia enteriormente,correr nadar ,musculação e todas as atividades inerentes a vida, ler ,escrever,ouvir musicas,coisas simples mas imprecindiveis no decorrer da vida,sem esperar obsecadamente que um dia a morte vai chegar,como chega para todos. E viva a vida !

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  32. Eu penso que a quimioterapia é uma tortura física e psicológica.

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    • Em alguns casos, é mesmo, Maria. É um tratamento agressivo e difícil, e por isso mesmo deve ser indicado com muito critério. Ela tem seus benefícios, e eu realmente acredito que a quimioterapia foi uma grande evolução no combate ao câncer. Hoje temos um número cada vez maior de pacientes curados por causa desse tipo de tratamento. Mas, quando as chances de cura não existem, e o objetivo do tratamento está relacionado muito mais a melhorar a qualidade de vida do que prolongar seu tempo, nesses casos é que temos que ajudar os pacientes a tomarem as decisões certas, permitir que eles determinem que tipo de desafio lhes parece compatível com seus objetivos. Nem sempre a quimioterapia é uma escolha coerente. Obrigada!

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  33. Enfoque humano e realista que permite ao paciente, médico ou não, um período final de vida sob um tratamento menos agressivo e debilitante e mais feliz junto aos familiares.

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  34. Adorei esse artigo. Muito bom.

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  35. Pingback: Como os Médicos Morrem? | mirianktn

  36. Me deixem descansar em paz.
    Dependente nunca.
    A vida da gente acaba quando você depende fisicamente dos outros.
    Nessa hora nossa vida acabou.
    Portanto não tem mais sentido.
    Prolongar isso é imperdível.
    E vê o inferno antes de parti.

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  37. Pingback: Como os Médicos Morrem? | Saúde Curiosa – A Notícia do Dia

  38. Pingback: Como os médicos morrem?

  39. Excelente texto Colega. Parabéns pelo magnífico blogue

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  40. Pingback: O que importa na travessia - a propósito do filme “Insubstituível” - Slow Medicine

  41. Pingback: Para saber e refletir: “Como os Médicos Morrem?” – Por Drª Ana Coradazzi | O Bem Viver

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