Como os Médicos Morrem?

Há alguns dias li um artigo emocionante, escrito pelo médico Ken Murray, da University of Southern California. No texto ele conta a história de um amigo, ortopedista, que alguns anos antes recebeu o diagnóstico de um câncer de pâncreas. Apesar de estar nas mãos de um grande cirurgião, especializado nesse tipo de câncer e extremamente capacitado para conduzir o caso, o ortopedista recusou o tratamento. Foi para sua casa, procurou ficar o máximo de tempo possível com sua família e otimizar sua qualidade de vida através do controle dos sintomas da doença. Alguns meses depois, ele faleceu em casa. Não recebeu quimioterapia, radioterapia ou tratamentos cirúrgicos. Nada.

O fato é que, por incrível que pareça e por mais incômodo que seja, médicos também morrem. E não gostam da ideia de morrer, tanto quanto qualquer outra pessoa. O que é diferente entre os médicos não é a quantos tratamentos eles têm acesso em comparação com os outros pacientes, e sim a quão menos tratamentos eles próprios se submetem. Médicos tendem a ser mais serenos e realistas quando encaram a possibilidade de morrer. Eles sabem exatamente o que vai acontecer, conhecem suas opções, e geralmente têm acesso a todos os tratamentos disponíveis. Mas partem suavemente, de forma quase que submissa.

É claro que médicos não desejam morrer. Eles querem viver. Mas eles sabem o suficiente sobre a medicina moderna para conhecer seus limites, e compreendem de forma profunda o que as pessoas mais temem: morrer em grande sofrimento e sozinhas. Médicos costumam falar sobre isso com seus familiares. Deixam claro que, quando for sua hora, não querem ninguém quebrando suas costelas na tentativa improvável de ressucitá-los. Muitas vezes, falam sobre isso poucas horas após eles próprios terem feito exatamente isso com seus pacientes (eu mesma já fiz). A maioria dos médicos já viu (e praticou) demais o que chamam de “futilidade médica”, que acontece quando é usado todo o arsenal mais moderno disponível para uma pessoa gravemente doente, que está claramente no final de sua vida. Eles já viram pessoas sendo cortadas, perfuradas com tubos e agulhas, colocadas em máquinas barulhentas (e sedadas para suportar a tortura), além da infinidade de remédios correndo em suas veias. E morrendo poucos dias (até horas) depois. Eu já ouvi de colegas angustiados frases como: “Prometa-me que, se um dia eu estiver nessa situação, você vai me deixar partir. Não deixe que façam isso comigo.” E é assim mesmo.

Mas, então, por que é que eles fazem isso aos seus pacientes? Por que fazem com os outros o que abominam para si mesmos? O grande problema aqui é também a origem de praticamente todos os problemas do mundo: a má comunicação. Uma família que vê uma pessoa querida em grande sofrimento frequentemente faz pedidos do tipo “Doutor, faça tudo o que puder por ele”. O médico, por sua vez, escuta “Por favor, use todas as estratégias que você conhecer nesse caso”. E o pesadelo começa. Na verdade, a tradução do pedido angustiado da família possivelmente era “Doutor, faça o que puder para aliviar o sofrimento dele. Ele não merece viver dessa maneira.” A abordagem, provavelmente, seria bem outra. A mesma confusão pode acontecer quando o médico pergunta ao seu paciente se ele deseja continuar com o tratamento. O paciente pode entender que, se disser “não”, será abandonado pelo médico e morrerá exatamente do jeito que o apavora: sofrendo e sozinho. O mesmo paciente poderia responder com um grande e aliviado “sim” se ouvisse uma proposta do tipo “A sua doença não está respondendo aos tratamentos que temos tentado, e eles estão deixando você ainda mais debilitado do que o próprio câncer. O que você acha de pararmos de nos preocupar com sua doença e focar nossos esforços para melhorar ao máximo a sua convivência com ela?”.

O fato é que todos nós, pacientes, médicos e familiares, sofremos as pressões do sofrimento extremo, do tempo, do sistema de saúde, da própria formação médica e das crenças culturais na hora de tomar uma decisão drástica. Mas somente os médicos sabem o que acontece depois. Eles tendem a não aceitar tratamentos excessivos e com poucas chances de sucesso. Muitos buscam formas de morrer em suas próprias casas, esmerando-se no controle da dor e outros sintomas, buscando significado para suas próprias vidas e oferecendo o melhor de si às pessoas a quem amam. A própria literatura médica oferece base para esse tipo de decisão. Estudos têm demonstrado que pessoas com câncer hospedadas em hospices ou acompanhadas por serviços de Cuidados Paliativos vivem mais (e melhor) do que aquelas com o mesmo diagnóstico que recebem tratamentos oncológicos até o final da vida.

Cabe a nós, médicos, oferecer aos pacientes a informação que nos é disponível. Cabe a nós permitir que eles compreendam que a morte não é algo a ser evitado a todo custo, e sim um momento da vida, como qualquer outro. Em muitas situações, ela simplesmente não pode ser evitada, apenas adiada, e o custo disso pode ser  um sofrimento intenso e desnecessário. O “prolongamento da vida” pode, na verdade, ser apenas o prolongamento do processo de morrer. Muitas vezes, com o paciente em grande sofrimento e sozinho. Um motivo e tanto para que os médicos não queiram passar por isso.

Médico doente

 

237 respostas a “Como os Médicos Morrem?”

  1. Morrer é tão assustador e ao mesmo tempo tão simples….depende de como encaramos esse momento tão importante. O amor quase sempre é apego e para não sofrermos não queremos deixar o outo partir, quando deveríamos deixa-lo partir….quem sabe um dia a gente aprende!

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  2. muito simplificado a questão do morrer ,não concordo.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Obrigada pelo comentário, Janete! Na verdade, é exatamente o contrário. O processo de morrer é extremamente complexo e único. Cada pessoa tem suas próprias expectativas, crenças, emoções, e sabe até onde deseja chegar. O que pretendi no texto foi chamar a atenção para o fato de que a morte, em especial nas doenças de evolução prolongada e que causam sofrimento, não precisa ser tão dolorosa. A intenção aqui foi atentar para a dignidade e respeitar cada ser humano da forma como é. Tarefa nada simples. Um abraço!

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  3. Avatar de ivone portella silva
    ivone portella silva

    Muito interessante esta narrativa,é de se pensar melhor neste caso,,eu vi minha mãe decompondo se pelo cancer e sempre me pergunto o que seria melhor ter a pessoa ali nesta situação ou abrir mão de estar com ela!!
    Penso que é egoismo da nossa parte ver a pessoa ali sofrendo e mesmo assim querer que ela fique a todo custo,,Meu DEUS faça com que possamos aceitar a Morte com Dignidade e sem medo dela que tanto nos assusta!!!!! um bjo grande ivone portella silva Pato Branco Paraná.

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  4. Avatar de sandro coelho

    Boa tarde

    É sensacional entendermos que, muito embora, médicos e profissionais da área de saúde não são deuses, mas pessoas como nós.

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  5. Muito bom

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  6. Não estou de acordo. No Brasil, nos anos trinta, a média de vida era de pouco mais de trinta e seis anos, atualmente de sessenta e oito. Acredito que a questão é: tentar, ou não, ver uma solução para o problema e ai não posso admitir que o medico não acredite no seu próprio trabalho. Sofrer mais pulemos, ou mesmo não sofrer, é outra coisa. Não nascemos apenas para morrer e nem sempre para viver bem. Todas as vidas dependem umas das outras, seja vegetal ou animal. Viver melhor ou não viver não é a mesma coisa.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Obrigada pelo comentário, Evandro. E concordo com você que o aumento da expectativa de vida (e da qualidade de vida) só melhorou porque médicos e outros profissionais da saúde dedicados se esforçaram para isso. Eu mesma sou oncologista e prescrevo quimioterapia para pacientes com câncer incurável, quando o tratamento for capaz de trazer benefícios ao paciente. Mas não é disso que estou falando no texto. Falo de situações nas quais a morte é questão de tempo, e não de falta de tratamento. São situações nas quais a Medicina não tem como atuar de forma significativa. São situações muito conhecidas por nós, médicos. Se pudéssemos resolver todos os problemas, ninguém jamais morreria. O posicionamento do texto é específico para situações irreversíveis, nas quais a autonomia do paciente deve ser sempre prioridade absoluta. Um abraço!

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  7. Linda peço a Deus que abençoe a cada médico dando a eles sabedoria e responsabilidades respeito por seus pacientes mas que acima de tudo guando precisar sejam pacientes como nos se dando o direito de serem tratados

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  8. Desta maneira é como entendo do Direito de Morrer Dignamente.

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  9. Avatar de clea Rodrigues
    clea Rodrigues

    Muito vrdadeiro..Está visão corajosa deveria ser mais divulgada

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  10. Avatar de Deborah Nogueira
    Deborah Nogueira

    Nunca tinha pensado dessa forma. Quando sabemos de um ente querido está muito doente, ficamos torcendo pra que o médico possa fazer de tudo para que ele sobreviva. Realmente é uma sobre vida. O paciente sofre muito e acaba falecendo bem castigado pelo tratamento. Este texto serve de reflexão para todos nós. Acho que a decisão é do paciente mas ele deve ser informar sobre a possibilidade de ele ter a opção de morrer com dignidade.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Obrigada, Déborah. A minha intenção era justamente provocar reflexão. Um abraço!

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  11. Avatar de Ebe E. Salzano de Oliveira
    Ebe E. Salzano de Oliveira

    É o nosso egoismo imenso, que pede para prolongar o sofrimento dos que amamos.

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  12. Concordo absolutamente com o texto. Vamos. Parar de infringir. Mais sofrimento nos ppacientes

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  13. Parabéns pelo artigo e pelo blog também. Eu já havia lido o artigo mas suas colocações em bom português foram muito importantes. Não aprendemos isso em nossas escolas médicas nem costumamos tratar do assunto em nossas conversas. Nossa sociedade evita, foge e nega o processo de morrer. Pessoalmente encontro algum conforto em conceitos e ensinamentos provenientes da filosofia budista, onde a morte é tratada com absoluta naturalidade e coragem. Mas nossa sociedade, por outro lado, está impregnada de ideias 180 graus diferentes daquelas vistas no budismo. E confesso pensar muito na morte, todos os dias. Quase que como um exercício, tentando me preparar para as perdas. Se será suficiente? Não sei…sempre será difícil, como foi quando perdi subitamente um de meus gatos, recentemente. No contexto médico, onde está sempre presente a possibilidade, pensar na morte “de ambos os lados do balcão” é fundamental.
    Passo a seguir seu blog.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Obrigada, Eduardo! E só para constar: também acho a filosofia budista incrível! Dê uma olhada no livro “A Arte da Felicidade”. Eu ganhei o meu do marido de uma paciente que faleceu. Ela fazia inúmeras anotações nas páginas do livro enquanto passava pela doença. As anotações foram ainda mais significativas para mim que o próprio livro. Um abraço!

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      1. Posso imaginar o significado e valor desse livro…
        Eu te recomendaria ainda dois outros livros, excepcionais: “Conselhos sobre a morte”, do Dalai Lama e “Livro tibetano do viver e do morrer”, de Sogyal Rinpoche…
        Gostaria que, quando vc tivesse tempo (e interesse) acessasse dois sites que mantenho: http://www.psiquiatriadigital.com e o outro, que é a respeito de uma proposta de e-learning em saúde mental, o http://escoladigitaldesaudemental.wordpress.com.br. O tema e foco de seu blog é um excelente assunto para se discutir entre estudantes e profissionais de saúde…
        Um abraço

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      2. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
        Ana Lucia Coradazzi

        Eduardo, achei incrível a ideia de educação digital em temas médicos. Nunca tinha ouvido falar de uma proposta assim, e realmente permite um leque de possibilidades infinito. Fico à disposição se vc precisar de algum material ou qualquer outra coisa! E muito obrigada pelas dicas dos livros, vou lê-los com certeza! Abraços!

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      3. Olá Ana,
        Eu fiz alguns acréscimos ao site da Escola Digital, esclarecendo melhor a proposta, inclusive criei uma aba exclusivamente para convidar tutores. Se você ou alguém de sua equipe se sentir motivado a participar, por favor não hesite em fazer contato. Eu dei até um exemplo de tópico que poderia ser incluído dentro de um programa – comunicação de notícias difíceis. Este é um tema que um amigo meu, psiquiatra, trabalhava no INCA do Rio de Janeiro e que eu acho muito pouco explorado nas escolas médicas…pois a Escola é para isso, complementar de maneira mais aberta nossa formação. Se tiver tempo, veja lá e me fale. Grato pela atenção e contato.

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  14. Entendo perfeitamente esse lado, “o médico que sabe”, não é a mesma coisa que um paciente que está querendo adiar esse momento por mais óbvio que lhe seja mostrado pela realidade que esteja vivendo. Porém, a fé e certeza de que muito podemos fazer nesta vida, o conviver com amor, abre janelas e janelas de como mostrar o agora para pacientes terminais viverem seus últimos dias de lucidez em comunhão e amor com seus familiares. Participamos de seminários espiritualizados dentro do contesto, debates de filmes sobre o assunto, palestras, e muita leitura e conversa em casa sobre como entender esse final sem rancor, usando todos os remédios possíveis para diminuir as dores. Apesar da tristeza no coração, estávamos felizes, pois sentíamos que ele foi entendendo, e se sentia envolvido pelo nosso amor que o abraçava e protegia para chegar ao Grande Portal. Estou falando de meu irmão, seu tio . Maridão e eu fizemos a nossa parte com muito amor.

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  15. Parabéns pela publicação deste texto. Achei formidável e é como penso. Apenas acrescentaria que o médico tem receios de se comprometer legalmente pq nem todos os familiares querem apenas menos sofrimentos, alguns esperam por um milagre e o médico fica no meio muitas vezes agindo para agradar os familiares. concordo que precisamos conscientizarmos melhor os familiares dos outros como fazemos com os nossos quando o paciente sou eu.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Concordo, Elaine! Um abraço!

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  16. A pessoa sabe o momento de sua partida, deveria poder escolher seu destino se esse for o caso

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  17. Avatar de Kátia Santos Dias de Castro
    Kátia Santos Dias de Castro

    Sou enfermeira e é exatamente o que desejo para mim e para as pessoas pelas quais posso decidir! Espero poder optar por morrer em casa, em paz e com o apoio de pessoas que me amam!

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  18. Avatar de Connie lima safioti
    Connie lima safioti

    Acho que eu também não gostaria que fizessem isso comigo .

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  19. Trabalho na área de saúde, este texto eu concordo em numero gênero e grau…
    Que possamos escolher o que for mais leve,calmo e menos sofrimento, não é apenas o meu sofrimento. Expectativas melhoras dos familiares, VC estado terminal a dias horas, não é just.
    A morte faz parte da vida, é o ponto final.

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  20. Avatar de Paraílio Souza.
    Paraílio Souza.

    Morrer é tão certo, como nascemos. Mas todos nós adiamos a morte, quanto mais podemos. Aqui os próprios médicos, acham que tratamentos para adiar a morte, de uma doença, que mais cedo ou mais tarde levará a morte, mesmo com ao melhores assistência, são apenas paliativas, pois um câncer em fase terminal, querer adiar a morte, é aplicar mais sofrimentos ao doente. Aqui se aplica aquela, faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço.

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  21. Avatar de Suêd Almeida

    Excelente artigo! Sou filha de médica e, sem saber de nada, já pedi à minha filha que não deixe fazerem comigo,esse prolongamento errado da minha vida, se eu vir a precisar um dia. Deixem que eu morra em paz!

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  22. morremos, como vivemos. se vivemos bem, escolhemos morrer bem, se vivemos mal, morremos mal e sem escolhas. quem tem medo da morte, viveu com medo! médicos tendem a ser altruístas,mesmo que sem querer, e sabem que a morte não é uma questão de escolha, mas de aceitação…

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  23. Avatar de Inacio Menegat
    Inacio Menegat

    Concordo plenamente, acho o texto bem elucidativo. Eu mesmo penso desta forma. O mais importante de tudo é estar sempre preparado para morrer. A morte é apenas uma etapa da vida. (a última)

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  24. Avatar de Amadeu Raimundo do Nascimento
    Amadeu Raimundo do Nascimento

    É muito interessante esse documentário do ponto de vista médico.Mas eu que não tenho mais pais,fiquei triste,uma vez que a fragilidade humana ficou clara no presente texto.Tenho filho,irmãos e esposa.Um momento qualquer, posso ser obrigado a tomar uma decisão como a mencionada.Peço a Deus que dê sabedoria aos médicos para me orientar.Quanto a mim,preferirei qualidade de vida durante o tratamento e que o Senhor tome conta do resto.É plausível lembrar a importância desse tema tratado por você,pois a leitura nos leva a reflexão, melancólica mas necessária.Obrigado por convocar pacientes e familiares a responsabilidades.

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  25. Concordo PLENAMENTE!!

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  26. Emocionante, lagrimas rolaram em meu rosto, lembrando da minha vó

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  27. O médico escolhe como quer morrer.. um paciente não tem essa opção. ….porque nuca lhe é dito francamente …aprenda a viver para morrer. Meu irmão teve a felicidade de escutar viva o que você pode .Ele escolheu ficar casa escutando RAY CHARLES e outros e preparando tudo para sua esposa e filhos ficarem amparados…em 28 dias se despediu desta vida.

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  28. Avatar de Liliane Haikal
    Liliane Haikal

    A falta de comunicação médico- paciente, traz consequencias nefastas. Mas por outro lado o médico nada pôde fazer sem o consentimento do paciente e de sua família!

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Concordo, Liliane! A questão é: como é que o paciente ou a família podem consentir qualquer coisa se não compreenderem de forma clara o que está acontecendo? Esse, na minha opinião, é o maior desafio do médico que lida com situações-limite. Um abraço!

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  29. Avatar de Roseli fa Silva Veit
    Roseli fa Silva Veit

    Simplesmente amei,ser humano é assim fazer uma jornada mais suave ao lado de quem amamos….

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  30. Avatar de Rosemari Ramos
    Rosemari Ramos

    Eu não tenho e acho que nunca tive medo de morrer, isso nao quer dizer que quero morrer, mas tenho muito Mais medo da velhice doente, ou doenças que nao Tem cura, mas ficar tentando te manter vivo a qualquer custo, nao quero isso para mim.

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  31. Avatar de Jorge Baptista da Silva
    Jorge Baptista da Silva

    Ótima reflexão, paciente e família em sintonia para abreviar o que não pode ser mais resolvido.

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  32. Avatar de Heverton Duarte
    Heverton Duarte

    Texto muito bem redigido e muito bem concatenado, isento ao máximo de pieguice.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Muito obrigada, Heverton! A minha intenção era exatamente essa. Um abraço!

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  33. Lendo esse texto lembrei do meu pai e da minha mãe, quanto sofreram por conta da minha ignorância, egoismo e falta de bom senso. Deveria ter abreviado o sofrimento deles, nao eu especificamente, os profisionais que a acompanhavam. Não somos preparados durante a nossa vida para enfrentarmos a única coisa que temos certeza que mais cedo ou mais tarde vai nos acontecer. Muito bom o texto, nos serve inclusive para uma reflexão sobre a nossa vida e sobre as atitudes que por muitas vezes tomamos impensadamente.

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  34. Realmente,por que prolongs sofrimento se a morte é inevitável.

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  35. Nossa !
    O texto é sem dúvida alguma um alerta para mecanismos que tardam as pessoas de morrerem de um modo digno .Lembro do meu pai , tendo sua vida prolongada pelos médicos e lembro dos olhinhos dele nos meus me pedindo para desamarra-lo da cama . Estava em sofrimento profundo.Nunca vou me esquecer d’aquele momento .Queria leva-lo para casa, e meu irmão não teve coragem. Quando falei com o médico de leva-lo para casa, ele me respondeu:- ” se você levar seu pai para casa, nós não nos comprometemos e um processo judicial pode ser acionado por descaso ou por interrupção do tratamento .
    Enfim , meu pai , faleceu mais doente do que quando entrou no hospital .
    Acho que está na hora de se fazer uma especie de “távola redonda ” com os familiares e ouvi todas as possibilidades de tratamento e não possibilidade de tratamento e sim o que o texto acima diz ” otimizar a vida , tratando apenas os sintomas da doença.”
    Acho que o câncer é uma doença , que se não estiver encapsulada e de fácil remoção não deve ser violada. Todos os processos de tentativa de cura , são muito doloridos e traumáticos para os pacientes quanto para os familiares.
    Apenas sei ,na minha humilde sabedoria ,que o câncer é gerado por um sentimento de magoa profunda e que nosso corpo é uma complexa usina de energia de luz !
    Acho que os psicólogos seriam de grande valia em todos esse processo.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Yara, sinto muito pela sua experiência com seu pai. Imagino o quanto foi doloroso. Mas, se serve de consolo, os serviços de Cuidados Paliativos estão cada vez mais estruturados no Brasil, e a própria formação básica do médico vem recebendo mais informações sobre como lidar com a morte. Obrigada pelas palavras! Um abraço!

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  36. A morte não é o fim da vida, apenas o nosso corpo morre. O espírito é imortal e passa a viver em outro plano, numa jornada nova de evolução. Eu creio na reencarnação e um dia retornaremos para continuar a evolução e aperfeiçoamento, vidas sucessivas, lembrem da afirmativa de Jesus : existem muitas moradas na casa de meu Pai.

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  37. Emocionante.

    Sou neta de médico e por muito anos não entendi como o meu avô havia simplesmente aceitado o câncer de próstata que o levou de nós. Contive as lágrimas do título ao fim, eis que tudo veio à memória. No final, tudo o que ele queria era estar perto de nós.

    Muita obrigada, Ana.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Fico feliz com suas palavras, Lúcia. É muito recompensador saber que minhas palavras trouxeram as lembranças de alguém tão querido para você. Certamente ele está em paz. Um beijo!

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  38. Avatar de Paulo Nogueira Fontes
    Paulo Nogueira Fontes

    É exatamente isso que as pessoas doentes em situações de doenças graves desejam ouvir dos seus médicos e juntamente com os seus familiares tomar a decisão que achar mais adequada para o seu caso em particular! Ou seja: Verdade e Honestidade plenas!

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Exatamente, Paulo. Em Paliativos recebemos um treinamento que chamamos de “verdade em doses homeopáticas”. Significa que todas as informações necessárias para as tomadas de decisão devem ser passadas ao paciente e seus familiares, mas sempre respeitando sua capacidade de compreensão em cada momento. Não é humano “despejar” diagnósticos e prognósticos sobre o paciente sem qualquer preparo, simplesmente para se livrar da obrigação. Há técnicas para isso, preservando a dignidade e o estado emocional do paciente. Obrigada pelo comentário!

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  39. Avatar de Francisco Evandro Feitosa sa Silva
    Francisco Evandro Feitosa sa Silva

    Eu na realidade não temo a morte, más tenho receio é lógico, afinal ninguem quê morrer, más não podemos fugir da realidade quê todos teremos quê partir um dia. Minha esposa tem pavor a morte. ela não gosta nem de conversar sobre o assunto. Já falei prá ela quê meu desejo, quando chegar minha hora, é quê ela doe tudo quê for possivel do meu corpo, porquê assim ela vai saber quê parte de mim se encontra vivo em outros corpos, se eu fôr primeiro lógico.

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  40. Avatar de MARCOS ROBERTO SANTOS
    MARCOS ROBERTO SANTOS

    EU CONCORDO COM O MEDICO É MELHOR MORRER EM PAZ DO QUE BRIGAR CONTRA ELA SE NÃO TEM JEITO

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  41. os medicos tamben sufren……presoes de TODO TIPO,sociais,familiares,legales ,..eu allo que sempre tem un lugar pouco aprecado pelo sociedade,o tem que atuar como salvador,e quando succde o milagro e umn milagro ,en quanto o resultado no e bom TODA A Culpa e de o medico ….ele nao fiz ,ele nao falo o suficiente ,ele deijo morir. eu quero possan so alguna vez ter en conta que os medicos tamben sufrinos ,erramos ,nao sabemos que facer ….e que con todas esas presoes igual tentamos facer o melhorosible.Quando una pessoa con una doenca terminal esta rodeada de sua familia ,nessos momentos a familia se torna egoisata nao quer que su familiar se morra pide ,suplica faz algo doutor …..o mensaje e ,eu nao posso viver sin ele ,nao importa o que seu medico fale ,e mais si o medico fala con a verdade e juzgado como si fose inhumano ,nao sensible ate comerciante o inclusi asesino ,eu desejaria como medica que sou faz ya 32 anos que alguen se ponha de nosso lado

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  42. Avatar de Josana Figueiredo
    Josana Figueiredo

    Eu sou enfermeira,e sempre procuro falar a verdade para família,muitos não aceitam,mas fiz minha parte.Tbm converso com o colega médico.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Parabéns pela profissão, Josana! Tenho uma admiração especial por enfermeiros. Acho que são pessoas iluminadas. Um abraço!

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  43. Eu gostei muito dessa história pois também acho que os pacientes tem o direito de saber que possuem esta oportunidade ,pois em grande parte os pacientes falecem sozinhos mesmo.

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  44. MUITO BOM, É O QUE PENSO COM RELAÇÃO A TRATAMENTOS MUITO RADICAIS…

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  45. Conheci um médico que fez exatamente isso…amigo de infância…contraiu Epatite C…e recusou o transplante de fígado…ficou com a família até seu fim…preparou a família que o enterraram serenamente …claro sofreram muito mas entenderam a opçao dele…nossa muito nobre uma atitude assim…sou da opiniao que prolongar o sofrimento é muito cruel.

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  46. Avatar de Zaia Mendes Alonso
    Zaia Mendes Alonso

    Os familiares devem permitir que seus entes queridos morram com dignidade

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  47. Sei muito bem o que é isto, já cuidei de duas pessoas com câncer, e que não podiam ser operadas mas que todos os dias eram submetidas a um novo procedimento . cheguei a dizer ao médico odeio esta palavra vou risca-la do meu dicionário.

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  48. Penso como os médicos,paliativos e familia

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sobre mim

Sou Ana Coradazzi, médica oncologista clínica e paliativista. Apaixonada desde sempre pela escrita e seu impacto na vida das pessoas, decidi transformar as inúmeras experiências valiosas com pacientes oncológicos em histórias, que divido aqui com todos vocês.

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