Como os Médicos Morrem?

Há alguns dias li um artigo emocionante, escrito pelo médico Ken Murray, da University of Southern California. No texto ele conta a história de um amigo, ortopedista, que alguns anos antes recebeu o diagnóstico de um câncer de pâncreas. Apesar de estar nas mãos de um grande cirurgião, especializado nesse tipo de câncer e extremamente capacitado para conduzir o caso, o ortopedista recusou o tratamento. Foi para sua casa, procurou ficar o máximo de tempo possível com sua família e otimizar sua qualidade de vida através do controle dos sintomas da doença. Alguns meses depois, ele faleceu em casa. Não recebeu quimioterapia, radioterapia ou tratamentos cirúrgicos. Nada.

O fato é que, por incrível que pareça e por mais incômodo que seja, médicos também morrem. E não gostam da ideia de morrer, tanto quanto qualquer outra pessoa. O que é diferente entre os médicos não é a quantos tratamentos eles têm acesso em comparação com os outros pacientes, e sim a quão menos tratamentos eles próprios se submetem. Médicos tendem a ser mais serenos e realistas quando encaram a possibilidade de morrer. Eles sabem exatamente o que vai acontecer, conhecem suas opções, e geralmente têm acesso a todos os tratamentos disponíveis. Mas partem suavemente, de forma quase que submissa.

É claro que médicos não desejam morrer. Eles querem viver. Mas eles sabem o suficiente sobre a medicina moderna para conhecer seus limites, e compreendem de forma profunda o que as pessoas mais temem: morrer em grande sofrimento e sozinhas. Médicos costumam falar sobre isso com seus familiares. Deixam claro que, quando for sua hora, não querem ninguém quebrando suas costelas na tentativa improvável de ressucitá-los. Muitas vezes, falam sobre isso poucas horas após eles próprios terem feito exatamente isso com seus pacientes (eu mesma já fiz). A maioria dos médicos já viu (e praticou) demais o que chamam de “futilidade médica”, que acontece quando é usado todo o arsenal mais moderno disponível para uma pessoa gravemente doente, que está claramente no final de sua vida. Eles já viram pessoas sendo cortadas, perfuradas com tubos e agulhas, colocadas em máquinas barulhentas (e sedadas para suportar a tortura), além da infinidade de remédios correndo em suas veias. E morrendo poucos dias (até horas) depois. Eu já ouvi de colegas angustiados frases como: “Prometa-me que, se um dia eu estiver nessa situação, você vai me deixar partir. Não deixe que façam isso comigo.” E é assim mesmo.

Mas, então, por que é que eles fazem isso aos seus pacientes? Por que fazem com os outros o que abominam para si mesmos? O grande problema aqui é também a origem de praticamente todos os problemas do mundo: a má comunicação. Uma família que vê uma pessoa querida em grande sofrimento frequentemente faz pedidos do tipo “Doutor, faça tudo o que puder por ele”. O médico, por sua vez, escuta “Por favor, use todas as estratégias que você conhecer nesse caso”. E o pesadelo começa. Na verdade, a tradução do pedido angustiado da família possivelmente era “Doutor, faça o que puder para aliviar o sofrimento dele. Ele não merece viver dessa maneira.” A abordagem, provavelmente, seria bem outra. A mesma confusão pode acontecer quando o médico pergunta ao seu paciente se ele deseja continuar com o tratamento. O paciente pode entender que, se disser “não”, será abandonado pelo médico e morrerá exatamente do jeito que o apavora: sofrendo e sozinho. O mesmo paciente poderia responder com um grande e aliviado “sim” se ouvisse uma proposta do tipo “A sua doença não está respondendo aos tratamentos que temos tentado, e eles estão deixando você ainda mais debilitado do que o próprio câncer. O que você acha de pararmos de nos preocupar com sua doença e focar nossos esforços para melhorar ao máximo a sua convivência com ela?”.

O fato é que todos nós, pacientes, médicos e familiares, sofremos as pressões do sofrimento extremo, do tempo, do sistema de saúde, da própria formação médica e das crenças culturais na hora de tomar uma decisão drástica. Mas somente os médicos sabem o que acontece depois. Eles tendem a não aceitar tratamentos excessivos e com poucas chances de sucesso. Muitos buscam formas de morrer em suas próprias casas, esmerando-se no controle da dor e outros sintomas, buscando significado para suas próprias vidas e oferecendo o melhor de si às pessoas a quem amam. A própria literatura médica oferece base para esse tipo de decisão. Estudos têm demonstrado que pessoas com câncer hospedadas em hospices ou acompanhadas por serviços de Cuidados Paliativos vivem mais (e melhor) do que aquelas com o mesmo diagnóstico que recebem tratamentos oncológicos até o final da vida.

Cabe a nós, médicos, oferecer aos pacientes a informação que nos é disponível. Cabe a nós permitir que eles compreendam que a morte não é algo a ser evitado a todo custo, e sim um momento da vida, como qualquer outro. Em muitas situações, ela simplesmente não pode ser evitada, apenas adiada, e o custo disso pode ser  um sofrimento intenso e desnecessário. O “prolongamento da vida” pode, na verdade, ser apenas o prolongamento do processo de morrer. Muitas vezes, com o paciente em grande sofrimento e sozinho. Um motivo e tanto para que os médicos não queiram passar por isso.

Médico doente

 

237 respostas a “Como os Médicos Morrem?”

  1. Avatar de marlene Pires Meira Gregório
    marlene Pires Meira Gregório

    Não adianta prorrogar sofrimento. Eu ficaria mais grata se aliviasse minha dor e me deixasse partir no tempo certo.

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  2. Excelente…

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    1. Avatar de Aguinaldo Valdevino Torres
      Aguinaldo Valdevino Torres

      Sou médico, completei 62 anos, agora, em Abril/2015, estou em pleno exercício profissional. Em 23/07/2013, tive um extenso IAM (septo médio + inferior + ápice), na fase aguda insuf ventrículo esq + congestão pulmonar, que combinados com o ambiente hospitalar levaram-me a pneumonias recorrentes; foi implantado um stent e realizada angioplastia na outra coronária. Fiquei, ao todo, 28 dias na UTI. Seis meses após, voltei ao pleno exercício profissional, sem sequelas. Tenho automóvel, mas prefiro andar de motocicleta -sinal de que estou em plena saúde- pois não suporto ficar preso no trânsito. Valeu a pena ter que suportar todo o sofrimento, agradeço a todos os profissionais da saúde que atenderam com extremo profissionalismo e zelo, no HPS 28 de Agosto, e no Prontocord (ambos em Manaus); ganhei, no mínimo, mais vinte anos. O NOSSO TRABALHO É LINDO, E, ÀS VEZES TRISTE, OUTRAS, GRATIFICANTE! Dr Aguinaldo Valdevino Torres.

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      1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
        Ana Lucia Coradazzi

        Nossa, Aguinaldo, que tremenda experiência você passou! Concordo que nosso trabalho é lindo. Sabe, acho que mesmo quando é triste, traz aprendizado. Você está certíssimo! Parabéns pela garra! Um abraço!

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  3. Eu vivo o tempo todo isso sou técnica de enfermagem de UTI pediátrica e ser humano e muito apegado ao físico a presença material do corpo e não vê o sofrimento do outro devemos pensar não o q e melhor para e sim para meu ente querido e muito difícil para os deixarem seus filhos partirem mais e o melhor em alguns casos

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  4. Avatar de Oscar E. Gallegos Vera
    Oscar E. Gallegos Vera

    Eu estou de acordo que todo ser humano tem dereito a sua escolha,e nós como médicos somos obrigados de falar todas as opções que el tem com todos os contras e veneficios que tem para lidar com el fato da morte sendo só um passaje nesta vida,sejamos mais justos.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Concordo COMPLETAMENTE, Oscar! Um abraço!

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  5. Quando se esta num momento decisivo, como é o meu caso: 80 anos, estou razoavelmente bem, mas não sei onde e nem quando, algo pode me acontecer. Uma coisa é fato, disso ninguem escapa. Hj estou só, perdi minha esposa. Quando chegar a minha hora, gostaria de me deixar levar sem tratamento, mas sem sofrimento

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Obrigada pelas palavras, S. Jossé. Para os idosos pensar sobre a morte é parte da rotina, e é importante que essa preocupação seja compartilhada com a família e com os médicos que o assistem. É a única forma de assegurar que, quando a hora chegar, as coisas acontecerão da forma como a pessoa escolheu. Um abraço!!!

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    2. Sr. José Paulo: parabéns pela idade e lucidez; agradeça pela saúde e convivência com seus entes queridos, especialmente a esposa que partiu, filhos, netos. Saiba que o Sr. não precisa se preocupar com a morte, nem como ela será. Faça aquilo que sempre fez: viva, intensamente, como se fosse eterno; aproveite seu tempo, distribua carinho e amor; divirta-se. Deixe as preocupações de lado e vá em frente, até quando Deus quiser!

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  6. Morrer c/ dignidade consciente do q é melhor p/ si é a melhor escolha.

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  7. Partilho com grande serenidade da mesma opinião

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  8. Avatar de SILVIA SOARES SMARRA
    SILVIA SOARES SMARRA

    GOSTEI DEMAIS DESSE ARTIGO, É BEM ESCLARECEDOR.

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  9. Adorei o texto.

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  10. Avatar de SILVIA SOARES SMARRA
    SILVIA SOARES SMARRA

    Há pouco tempo ,minha filha de 37 anos faleceu em meio a grande sofrimento no hospital.Esse artigo me fez refletir.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Lamento muito por sua filha, Sílvia. Acredito que não exista uma situação mais dolorosa que a perda de um filho. Espero ter trazido algum conforto para você. Fique em paz.

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  11. Muito bom, mesmo. Minha mãe não faleceu porque tinha câncer.Não deixamos entubá-la nem que fôsse feita trasquiectomia. Pode estar com seus filho e netos até o dia anterior de seu falecimento. Infelizmente, alguns da área por resvalos, deixaram muito a desejar e ela se foi….

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Sinto muito por sua perda, Ana. Que ela esteja em paz.

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  12. muito bom este artigo! parabens

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  13. Avatar de Maria Lúcia Alves Ferreira
    Maria Lúcia Alves Ferreira

    Leia

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  14. Aprovo totalmente o texto é gostaria q tb agissem assim comigo.

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  15. Avatar de Celso Marques

    A morte caminha conosco a partir do nosso nascimento,sendo assim uma velha companheira,nao devíamos temela e sim ter a certeza da sua existência e vivermos cada dia como se fosse o ultimo de forma intensa.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Digo isso o tempo todo aos meus pacientes, Celso: “A única certeza que temos na vida é que vamos morrer. Só cabe a nós decidir como vamos viver até lá.”. Um abraço!

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  16. A unica certeza q temos na vida é que, um dia morreremos.
    mas até Cristo temeu a morte.

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  17. Mensagem forte ,mais bastante sincera e verdadeira , muito realista ! A qualidade de vida nesses últimos momentos e uma coisa que tem que ser levado a sério por todos nos

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  18. Avatar de César de Macedo Cristino
    César de Macedo Cristino

    É sabido que a perda de um paciente que entra em óbito é indesejável pelo médico que o assiste. Mas o que se fazer em casos terminais? Prosseguir o tratamento, embora sabendo-se da ineficácia medicamentosa diante de quadro decadente do enfermo? Seria mais humano que o paciente fosse passar seus últimos dias no aconchego de sua família. Tal procedimento, todavia, teria o mérito também de se evitar o desgaste desnecessário do profissional-assistente,uma vez delineado o quadro do enfermo como efetivamente terminal.

    e

    e

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  19. muito bom texto ! Coerente e verdadeiro!

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Muito obrigada pelas palavras, Lilian! Um abraço!

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  20. Achei um texto ótimo até pra aliviar a dor de quando perdemos alguém muito próximo e amado, para nunca esquecer que o dom da vida pertence a DEUS, ele nos dá a vida e quando vivemos o nosso melhor, temos que entender a nossa hora de voltar ao criador da VIDA.

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  21. Muita verdade neste texto! Vi meu pai, médico fazer exatamente isto ais 70 anos.

    Desculpe os erros anteriores

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  22. Acho que o paciente tem o direito de escolher a forma que deve morrer, já que todos nós sabemos que este será inevitavelmente nosso fim. Não concordo com qualquer tipo de vida,
    e sim com qualidade de vida. Não aceito ser submetida a o melhor tratamento se sei que,o final
    será a morte! Concordo totalmente com o procedimento do médico em questão !!
    Vamos aproveitar da melhor forma possível nossos últimos tempos de vida!! E vamos concordar que um hospital e certos tratamentos não valem a pena!!

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  23. Um artigo digno de ser lido e compartilhado por todos nos medicos.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Muito obrigada pelas palavras, Paulo! Um abraço!

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  24. Bom dia.,
    Os médicos mantém um perfil da fé crêem mais que qualquer um no Deus criador das coisas e soberano sobre s vida as csusas perdidas é o desafio deles doenças incuráveis,

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  25. Eu entendo exatamente assim e gostaria que na minha hora a minha família também pudesse ter este entendimento de que não podemos acrescentar nem um minuto à nossa vida pois isso pertencente à Deus.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Para isso basta deixarmos claro para nossa família o que esperamos quando nossa morte chegar. Não precisa ser um tema tétrico. Apenas um esclarecimento sobre a forma como gostaríamos que fosse. Conversas como essa ajudam muito os familiares a tomarem decisões nos momentos cruciais. Um abraço!

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  26. concordo plenamente com esse texto, a tempo para tudo e morrer faz parte, o melhor é saber que morreremos perto dos que nos amam e não solitários em um hospital presos a tubos e não podendo mais compartilhar nada com nossos amados que ficarão.

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  27. Concordo com o texto, mas acho que os médicos deveriam deixar mais claro sobre determinadas situações. Perdi minha mãe agora recentemente – 02/01/15 no hospital. No final foi por infecção generalizada contraída na UTI do hospital. O que me incomodou foi o fato dos médicos insistirem por dias – inclusive no dia 01/01 – de que ela estava bem, que os exames estavam normais e que só precisava melhorar tais e tais sintomas para “ir para um quarto”… quando na verdade me pareceu bem ao contrário. Sei lá… sabíamos dos riscos e dos problemas, mas sempre tudo foi encarado de forma muito positiva e quando simplesmente aconteceu, acabou sendo um impacto para nós, pois apesar de tudo nos era dado esperança e “segurança”.

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    1. Os médicos agiram com humanidade; deram esperança e segurança de que tudo ia bem, e fizeram o que era possível para controlar a infecção, até que chegou o momento do impacto, inexorável… Para entender melhor, coloque-se no lugar deles, e pense no que diria aos familiares da paciente, mãe amada!

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      1. Parabéns pela sua maneira de pensar e serverídico no que afirma..abraço…

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      2. Avatar de Rafaela Rangel
        Rafaela Rangel

        Não sei se concordo que dar falsas esperanças é agir de forma humanitária… Preferia que eles falassem a verdade. Sinceridade é mais importante do que achar que está tudo bem…

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  28. Avatar de Antonio Carlos
    Antonio Carlos

    Quase que obrigado, acompanhei por semanas o sofrimento de pessoa amiga, sem possibilidades de voltar a viver normalmente. O médico que a acompanhava, logo ao início da manifestação da doença, relatou a família que não tinha cura. A família indignada, só não processou-o por ser um amigo intimo. O medico por questão humanitária, continuou a manter a paciente viva, dispensando o seu salário. Mais adiante, comunicou a família, que iria passar o acompanhamento para outro médico, por não suportar mais, vêr a sua amiga sofrendo. Com cuidado, explicou que era só observar as contrações do rosto da amiga, e , chegar a conclusão do seu sofrimento. Com relutância de alguns parentes mais chegados, foi aceita a suspensão medicamental. Incrivelmente a aparência da senhora falecida, me pareceu mais suave, livre de tubos e drogas.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Fico feliz em proporcionar algum alívio para vc, Antonio Carlos. São situações muito difíceis e totalmente únicas. Mas o aprendizado com essas experiências é de um valor inacreditável para a nossa evolução pessoal. Obrigada! Um abraço!

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  29. Avatar de Luiz Alberto da Cunha Pereira
    Luiz Alberto da Cunha Pereira

    Concordo plenamente quando o médico diz que muitas vezes o prolongamento da vida, é também acompanhar um sofrimento a mais onde você não está preparado para vivenciar. Precisamos aprender a ver a morte como prolongamento da vida e não como fim. Todos morreremos de alguma forma a qualquer momento. Continuaremos vivos, é uma certeza, temos testemunho disso.
    Precisamos ver a morte como continuação de uma vida melhor, se contribuirmos para que mereçamos.

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    1. Avatar de Luiz Alberto da Cunha Pereira
      Luiz Alberto da Cunha Pereira

      Infelizmente não nos preparamos para esse momento desconhecido. Nosso apego pelo material é mais forte que o desapego porque acreditamos que tudo se acaba com a morte física. Foi-nos ensinado assim, infelizmente, e, este conceito continua se perpetuando. A maioria da população terrena ainda não está preparada para este recomeço.

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    2. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Concordo completamente. Obrigada, Luiz!

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  30. Respeitar a dor do outro, ainda está em processo de conscientização! Temos q/ ver o sofrimento de quem está passando por esse momento e n/ aliviar a nossa.Isso é egoísmo(mesmo de forma inconsciente).Não podemos deixar de escutar a quem está vivendo o maior sofrimento e mais:Sem condições de transmitir o s/ pedido!Pensem nisso por favor!!!Gta

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  31. Profundo e belo. Nos faz refletir sobre o sentido natural das coisas.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Obrigada pelas palavras, Fernando! Um abraço!

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  32. Concordo em parte, pois quem pode saber ou prever os designos do que a vida nos fará passar. A tentativa de abreviar esse momento é própria do ser, quer seja racional ou irracional, uma vez que qualquer ser vivente não quer perecer.

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  33. Depois de 6 cirurgias cardiacas e vasculares, gostei muito de ler este artigo.
    Estou em recuperação da ultima operaçåo a um aneurisma na iliaca interna.
    Assustam-me as doenças oncologicas e A VCs..…………………

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  34. E sao palavras que nos emocionam, mas a vida e assim, um eu, outro dia vc, sem pre conceito.
    Por isso perante Deus somos todos iguais.
    Feliz aquele que ama e, faz o bem ao seu proximo doente, que nao quer sofrer pra depois ter que partir da mma forma.
    parabens ao medico, que entende que tds vamos um dia para junto fo Pai Eterno…
    Que Jesus abencoe tods os medicos, pois sao verdadeiros Anjos rm nossas vidas….
    beijjjjooooosssssss. .

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  35. Avatar de Janete Miotto

    Acho que como parentes ,em estado terminal mexe muito com todos. O que realmente queremos é não ver a pessoa que amamos sofrer. Passei, isso com minha mãe. Ela tinha Alzheimer, estava no Oxigênio, alimentação por sonda, nebulizações e aspirações. Ela não engolia e aí engasgava. Ela era a pessoa que eu mais amava. Mas , não queria vê-la nesta situação. Dói muito. Sabia que ela estava em boas mãos. Mas, isso não serve de consolo. Ainda mais quando trabalhamos na saúde. Sei lá, tinha que haver um meio mais fácil. A família adoece. E , quando nos damos conta um está brigando com o outro. Minha mãe , ficou internada 3 meses. E, aí faleceu. Já fazem 3 anos. Mas a saudade dói demais.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Lamento pela sua perda, Janete. Nós brasileiros tendemos a ver a morte como algo muito triste, faz parte de nós. É algo que dói. Mas muitas vezes dói muito mais assistir ao sofrimento daqueles a quem amamos. É nessa hora que sabemos que está na hora da partida. Fique em paz!

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    2. Filha, não sofra mais; sua querida Mãe vive em você; ela está em teu coração e mente, além da tua própria carne! Assim é com nosso Pai, eis que somos, todos, partículas de Seu amor e força imensa. Lembre-se somente dos bons momentos e das alegrias que vivenciaram juntas, e, assim, vais sentir a presença dela mais forte ainda. Dedique todo amor que ela lhe concedeu aos teus próprios filhos ou parentes, e verás que essa homenagem lhe fará feliz!

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  36. Avatar de Lucia Verissimo
    Lucia Verissimo

    Acho que ele tem toda razao nao vale a pena tanto sofrimento se o resultado e negativo

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  37. certíssimo, ainda não chegamos a comemorar, como o nascimento ,mas morrer com dignidade deveria ser regra.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Concordo plenamente, Maria Rita! Um abraço!

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  38. Gostei muito, concordo plenamente com o fato.

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  39. Obrigado, agora estou em paz.

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  40. Avatar de Luzmarina Ayres Lemos
    Luzmarina Ayres Lemos

    Excelente texto. Parabens.
    Trabalhei 19 anos de minha vida em CTI e ví o quanto o ser humano se apega ao fisico.
    Muitas vezes me perguntei por que os médicos tomam atitudes para prolongar a “vida” até mesmo incompativeis com ela, como doses altíssimas de noradrenalina…
    Minha mãe faleceu em meus braços, e eu tive a serenidade de pedir aos médicos que não a ressuscitasse. Se ela tivesse voltado, seria para a agonia de um respirador, de onde ela não sairia jamais.
    Ela havia me pedido que intercedesse, quando chegasse a hora, e cumprí sua vontade. Estou em paz.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Parabéns pela serenidade, Luzmarina. É essa tranquilidade que nos deixa em paz depois da perda. Um abraço!

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  41. Avatar de Antonio Carlos Guimarães
    Antonio Carlos Guimarães

    Gostei tanto de ler o texto de Ana Lúcia Coradazzi, que li todos os comentários. Realmente precisamos refletir e estar preparado para a morte, tanto do ponto de vista religioso como do psicológico/emocional. Sinto que a autora deveria escrever um livro sobre o tema. Não sou médico, mas adoro assistir o seriado “House”.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Obrigada, Antonio Carlos! O livro já está pronto, em fase de negociação com editora! Um abraço!

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      1. Avatar de Rafaela Rangel
        Rafaela Rangel

        Muito bom saber que este livro está a caminho! Divulgue bastante, vou querer muito lê-lo!!!

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      2. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
        Ana Lucia Coradazzi

        Vou divulgar sim, mando um e-mail especial pra você!

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  42. Avatar de Basilio Cella

    Se a morte é a cura de um sofrimento irreversível, ela se torna o único e melhor alento para quem parte e para quem fica.

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  43. Emocionada com o texto é com os comentários/relatos dos leitores. Uma belíssima e poderosa ponderação a respeito de um tema que nos é ainda tão difícil. Parabéns!!

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Obrigada pelo carinho, Beatriz! Um abraço!

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  44. Avatar de simone secco da rocha
    simone secco da rocha

    Sou psiquiatra. Perdemos meu pai há 6 anos após 3 anos de tratamento de um tumor de vias biliares, que desde o início sabíamos tinha pouquíssimas chances de cura, mas a equipe que nos atendeu fez um trabalho fantástico, e melhor ainda quando meu pai entrou em encefalopatia hepatica e já não contactva mais e fomos conversar com o médico responsavel que não queríamos nada que prolongasse o sofrimento dele e descobrimos que ele já havia combinado isso com o médico…sua morte veio na mesma noite conosco ao lado e com muita serenidade, foi uma experiência para além da dor da perda de uma pessoa tão especial que até ao morrer seguiu nos ensinando..e paradoxal dizer mas foi uma muito legal..
    Seu texto traz isso muito bem, há que se ter respeitar o individuo até em seu morrer..
    Adorei!!!

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Obrigada pelas palavras, Simone. Imagino o quanto foi difícil passar por essa experiência com seu pai. E, na verdade, não é paradoxal sentir-se triste e feliz ao mesmo tempo nessa situação, porque os sentimentos vêm de fontes diferentes. A tristeza vem da consciência de que não veremos mais uma pessoa querida. Ela é indiscutível, seja em que situação isso aconteça. A felicidade vem do alívio de saber que essa pessoa tão amada não passará por mais sofrimento, e da consciência de que ela partiu em paz, da forma como desejava, e perto das pessoas que lhe eram caras. O câncer é uma doença terrível e cruel, mas tem a vantagem (valiosa) de permitir que a pessoa se despeça decentemente, tome providências, resolva pendências afetivas. Não aproveitar a única vantagem que uma doença dessas traz é um grande desperdício. Bjo grande!

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  45. Avatar de Mara Aurélia de Carvalho Palma
    Mara Aurélia de Carvalho Palma

    Parabéns , Doutora ! Texto muito bem escrito ( adoro ver nossa Língua tão bem falada , tão bem escrita ! ) , mas principalmente lúcido , defendendo uma opinião da qual compartilho plenamente . Tenho 67 anos mas estou muito bem de saúde , graças a Deus , com vida absolutamente ativa , ainda estudando , mas sei que , em algum momento , vai chegar minha hora . Sempre brinco com os filhos , netos e amigos que já conversei com Deus e avisei ( olhe a petulância ! ) que não quero morrer doente , quero morrer viajando , passeando …. Esse pedido pode parecer estranho , mas não é impossível de ser atendido . Deus atendeu um pedido muito mais estranho da minha avó . Dizia ela : ” Já avisei Deus que estou de malas prontas , mas pedi a Ele três coisas : que não me faça embarcar dormindo , nem sem ter tomado meu banho diário e nem de estômago vazio ! ” Pois não é que ela acordou , tomou seu banho , foi até a cozinha onde tomou o café da manhã , e , ao levar sua xícara para a pia , foi fulminada por um ataque cardíaco ? ! Não sei se vou ter mérito para tanta graça , por isso , às vezes tento conversar com meus filhos sobre como eu preferiria ser tratada caso uma doença grave me acometesse e eles ficam muito bravos comigo . Não gostam absolutamente que eu fale de morte ! Explico que não estou dizendo que quero morrer , que até chego a achar que ainda vai demorar para isso acontecer , mas que quero que eles saibam que se tiverem , por algum motivo , que decidir por mim , diante de uma incapacidade temporária ou permanente da minha parte , que decidam pelo que estou pedindo agora , enquanto estou lúcida e sei que não quero um tratamento longo , sofrido que prorrogue minha vida por muito nem pouco tempo . Mas eles dão um jeito de encerrar rapidamente esse tipo de conversa ! O que devo fazer ? Deixar por escrito essa minha vontade / decisão ? Não é que esse me seja um pensamento recorrenfe , mas , às vezes penso nisso , e seu texto o trouxe à tona . Desculpe por ter-me prolongado tanto para enfim chegar à pergunta em questão : ” o que posso fazer ? “

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Mara, muito obrigada pelas palavras carinhosas! E parabéns pela lucidez a respeito da sua própria finitude. Por incrível que pareça, tal lucidez é rara, e a falta dela já foi motivo de imensos sofrimentos. Quanto ao que você pode fazer, o principal já está sendo feito, que é tocar no assunto com a família. Você pode realmente fazer um documento (veja a resposta que escrevi acima, para a Ângela, sobre o testamento do paciente). O problema desse tipo de documento é que ele deve ser constantemente revisado. Isso porque conforme vamos vivendo e passando por novas experiências, nossas expectativas podem mudar. Algo que seria inadmissível hoje pode ser até desejável amanhã. Outra possibilidade é você ter um médico de confiança que a acompanhe desde sempre, e conversar com ele claramente sobre o assunto. Espero ter ajudado! Bjo!

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  46. Excelente texto, concordo inteiramente com a sua posição.Peço permissão para publicá-lo no meu blog http://www.w.gasperi.blog.uol.com.br pela pertinência do assunto. Sou médico psiquiatra.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      Obrigada pelas palavras, Willians! Claro que você pode publicar o texto! Um abraço!

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  47. Acredito que em caso de Câncer em estágio avançado o médico deveria sim dar essa opção ao paciente, pois não são todos que apresentam dessa forma, o tratamento oncológico pode até dar um tempo a mais de vida, mas o sofrimento é muito grande e também a transformação física pela qual a pessoa passa é tudo muito terrível, em alguns casos terminais o paciente entra até não tão mal ao hospital, mas os médicos internam os pacientes oncológicos sem dar satisfação nem ao paciente e nem a família sobre o que está acontecendo , qual é o quadro e qual o tratamento e deixa lá até o dia fatídico chegar mesmo a pessoa tendo convênio , fazendo visitas curtas pela manhã e aumentando a dosagem do remédio para que a pessoa não sinta dor e o tratamento acaba dando uma morte mais triste e mais sofrida. Sou a favor sim de dar explicações claras ao paciente e família por mais dolorosas que sejam não deixem seus pacientes e familiares sem saber o que está acontecendo, se ele quer morrer em 3 meses mas com a aparência que está e com menos sofrimento, ou em 6 meses com todo sofrimento de uma quimioterapia e todo deformado, irreconhecível. Falando assim pareço insensível mas recentemente passei por essa situação e gostaria de junto com meu ente querido ter tido a chance de fazer essa escolha, pois sei por tudo que passei até o último suspiro dele, cada dia perdendo sua aparência.

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  48. Belo texto, realmente devemos repensar se não devemos encarar a morte com naturalidade e não deixarmos as pessoas quê amamos sofrer porque causa do nosso medo apego .A nossa fragilidade diante da morte é tao forte que nos leva a não permissão de viver com mais leveva .Tornaria excelente livro .

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  49. Muito bom texto e comentários. Adorei o comentário de que vive em nos aquele a quem amamos. Hoje alguns pais já estão registrando em cartório seus desejos em relação aos tratamentos.

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    1. Avatar de Ana Lucia Coradazzi
      Ana Lucia Coradazzi

      É verdade, Ângela. E tem sido cada vez mais frequente o registro do que chamamos de testamento do paciente, para os casos de doenças incuráveis de evolução relativamente arrastada (como o câncer). Nesse documento a pessoa descreve em detalhes como quer ser tratada quando sua hora chegar. Ela pode determinar se quer ir para o hospital ou ficar em casa, se quer ir para uma UTI, quais as pessoas que gostaria de ter ao seu lado, etc. É claro que é necessária uma lucidez e um preparo fora de série para escrever um documento desses. Para nós, que não estamos doentes, é algo inimaginável. Mas a existência do documento tira um peso imenso dos ombros da família e da equipe de saúde que assiste ao paciente, além de ser um ato de enorme respeito por sua autonomia. Um abraço!

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sobre mim

Sou Ana Coradazzi, médica oncologista clínica e paliativista. Apaixonada desde sempre pela escrita e seu impacto na vida das pessoas, decidi transformar as inúmeras experiências valiosas com pacientes oncológicos em histórias, que divido aqui com todos vocês.

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