No Final do Corredor

histórias, experiências e lições de vida

18 de junho de 2015
Ana Lucia Coradazzi

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A Dor Como Quinto Sinal Vital

Na última segunda-feira, dia 15 de junho, tivemos o prazer de receber a enfermeira Franciellen, do Hospital do Câncer de Barretos, para um treinamento de implantação da dor como quinto sinal vital na rotina da enfermagem. Esse procedimento tem sido implantado em inúmeros serviços de Cuidados Paliativos (e também em hospitais gerais) desde 1999 e, apesar de seu impacto ter sido contestado por alguns estudos, a vasta maioria dos serviços que o adotaram afirma que houve diferença significativa na assistência aos pacientes.

Em pacientes oncológicos, nos quais a dor se apresenta como sintoma importante durante algum momento do curso da doença em mais de 70% dos casos, subestimar a avaliação da dor é mais que desumano: chega a ser criminoso. Hoje dispomos de ferramentas mais que suficientes para detectar, diagnosticar, tratar e monitorar o sintoma de tal forma que é possível obter alívio em quase 100% dos casos. Na prática, porém, vemos todos os dias pacientes com sua dor mal controlada e, portanto, experimentando um sofrimento desnecessário.

Os motivos que levam a isso são muitos, e variam imensamente de um serviço para outro, mas alguns aspectos são tão frequentes que podem ser considerados um padrão. A não detecção e a má avaliação estão entre eles. Nós, médicos, temos pouca (ou nenhuma) formação a respeito da dor e seu tratamento durante os anos da faculdade. O mesmo acontece com profissionais da área de enfermagem. A capacitação em dor é muitas vezes colocada em segundo plano, priorizando-se o tratamento das doenças e deixando os sintomas que as acompanham de lado. A implantação da dor como quinto sinal vital vem ao encontro do objetivo maior dos serviços de Cuidados Paliativos, que é mudar esse cenário doloroso e torná-lo mais humano.

Na verdade, instituir a avaliação da dor como quinto sinal vital vai bem além de obrigar enfermeiros a avaliar a presença ou não do sintoma juntamente com os outros sinais (pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura, frequência respiratória). Essa rotina permite que os profissionais de enfermagem se aproximem mais dos pacientes e sejam capazes de avaliar a dor de forma abrangente, identificando sua localização, intensidade, características e fatores de melhora ou piora. A partir disso, o enfermeiro pode alertar o médico e medicar o paciente de forma mais adequada, evitando sofrimento desnecessário e melhorando sua qualidade de vida.

No entanto, há que se ressaltar alguns pontos importantes. A simples identificação da presença de dor, ou mesmo sua avaliação mais aprofundada, pouco ou nada impactará na vida dos pacientes se as condutas adequadas não forem tomadas. Pelo contrário: um paciente que diz que tem dor, explica o que está sentindo e não recebe tratamento (ou recebe tratamento pouco eficaz) pode se sentir ainda mais abandonado e desestimulado, promovendo resultados exatamente inversos aos desejados. A implantação de novas rotinas potencialmente úteis deve ser sempre benvinda, mas o bom senso é mais benvindo ainda. A equipe precisa trabalhar unida. A capacitação deve ser ampla e irrestrita, incluindo ativamente todos os profissionais que tenham contato com o paciente. A troca de informações tem que ser eficaz. O registro das informações deve ser de qualidade. E, claro a monitorização dos resultados tem que ser exemplar, além de amplamente divulgada. Sem o envolvimento de todos,  a implantação de um novo sinal vital a ser registrado pela enfermagem não passará de um trabalho a mais para a equipe. Nada mais que isso.

Edson e Marlice (Mundipharma), Enfermeira Fabiana, Enfermeira Francielle, Dra. Ana Lucia e Enfermeira Valentina Bonilha

Edson e Marlice (Mundipharma), Enfermeira Fabiana, Enfermeira Francielle, Dra. Ana Lucia e Enfermeira Valentina Bonilha

Paletra sobre dor como quinto sinal vital

Paletra sobre dor como quinto sinal vital

Palestra sobre dor como quinto sinal vital

Palestra sobre dor como quinto sinal vital

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