No Final do Corredor

histórias, experiências e lições de vida

25 de outubro de 2015
Ana Lucia Coradazzi

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Sobre a Arte de se Relacionar

Há alguns dias li um texto escrito por André Camargo, no blog medium.com, sobre o poder da CNV (Comunicação Não Violenta). No texto André descreve o que ele chamou de 25 ideias poderosas sobre a arte de se relacionar que ele aprendeu com Dominic Barter e a CNV. São ideias que, embora simples à primeira vista, têm em si uma profundidade e amplitude gigantescas, resumindo primorosamente os desafios e benefícios de se praticar a comunicação verdadeira e sincera. O texto nos mostra o quanto os relacionamentos podem ser afetados por uma comunicação relapsa e pouco efetiva. Nada mais poderoso que a comunicação efetiva no dia-a-dia dos pacientes com doenças graves. Vale a pena conferir, mas leia bem devagarzinho!

25 IDEIAS PODEROSAS SOBRE A ARTE DE SE RELACIONAR QUE APRENDI COM DOMINIC BARTER E A CNV

*por André Camargo

1. Saber se relacionar bem não significa ser bonzinho, “paz e amor” ou não falar palavrão. Tem mais a ver com comunicar sua verdade, ser fiel a si mesmo e respeitar profundamente os sentimentos e necessidades da outra pessoa.
2. Conflitos são inevitáveis e até bem vindos. Conflitos são portadores de verdades. O objetivo, portanto, não é se livrar dos conflitos, mas aproveitá-los como oportunidades para gerar intimidade.
3. Comunicação é criação compartilhada de sentidos. Uma das principais fontes de mal-entendidos é supor que a outra pessoa entendeu o que você quis dizer. E vice-versa.
4. A gente precisa se recordar, sempre, de que o outro é um desconhecido — em constante processo de mudança. Portanto, é fundamental cultivar a prática de checar o que a outra pessoa nos ouviu dizer.
E, em contrapartida, verificar se o que ouvimos a pessoa dizer era efetivamente o que ela pretendia comunicar.

5. Comunicação autêntica envolve seres humanos em um esforço compartilhado de formular a verdade que precisa ser dita. O diálogo é uma investigação conjunta, em equilíbrio de poder, sem saber de antemão onde vai dar.
6. Nos conflitos, o que nos amedronta não é a reação da outra pessoa. É nossa própria incapacidade de lidar com a reação do outro.
7. Toda estrutura que não permite diálogo precisa ser modificada.
8. Empatia é um meio e não um fim. A gente aprendeu a tolerar o intolerável — e ainda achar que a tolerância é uma coisa boa. É o que querem que a gente pense. Compreender empaticamente, e ficar por isso mesmo, apenas perpetua o problema ao torná-lo tolerável. Diante do que não serve à vida, é necessário ação. Vigorosa, se for o caso.
9. Qualquer coisa é melhor do que obedecer silenciosamente a algo que não serve à vida.
10. Devemos desconfiar de tudo que se apresenta como a única possibilidade. E, ao contrário, usar o diálogo para criar, conjuntamente, formas de lidar com cada situação que levem em conta os sentimentos e necessidades dos envolvidos.
11. No momento em que eu vejo o outro como inimigo, eu confundi as coisas. Manifestemos firme intolerância ao ato, mas tolerância incondicional à pessoa.
12. Preciso conhecer bem o que me desconecta da minha humanidade. O que me desconecta da minha humanidade é tudo que me impede de compreender o impacto das minhas ações sobre as outras pessoas. É o que me faz esquecer de como a gente se sente quando prejudica alguém. E o que, eventualmente, me faz encontrar boas razões para me fechar, roubar, atirar.
13. Identificar quem errou é uma perda de tempo que atrasa a transformação. Melhor parar de viver procurando o culpado.
14. A ideia de que não tenho tempo é uma excelente estratégia para nada mudar. Tempo são escolhas que a gente faz.
15. Conselhos não solicitados são uma forma sutil de rejeição. Ao contrário de oferecer uma escuta livre de expectativas e suportar estar com o outro em sua angústia.

16. Rótulos desumanizam. Reduzir o outro a algum tipo de bicho (burro, vaca, verme), por exemplo, é o prenúncio de formas mais graves de violência. Antes mesmo do Holocausto, os nazistas retratavam os judeus como ratos.
17. Violência é tudo o que viola a integridade do outro.
18. A escuta aberta e empática re-humaniza. É maravilhoso testemunhar o poder de alguém que recuperou sua dignidade.
19. A CNV é uma ferramenta de transformação (de si e do mundo) pelo diálogo.
20. Estamos há muito tempo de luto por nossas necessidades não atendidas. Fomos ensinados, desde pequenos, a negligenciar nossas próprias necessidades, a fim de prestar atenção às demandas dos outros. Uma das maiores fontes de conflito é esperar dos outros que atendam nossas necessidades não atendidas. Precisamos cultivar compaixão por nós mesmos e pelos outros, por nossas necessidades não atendidas. E, ao mesmo tempo, compreender que não somos mais crianças.
21. A responsabilidade por atender às minhas necessidades é minha e somente minha. E o caminho para atender às minhas necessidades é transformá-las em pedidos que o outro pode ou não atender. É crucial compreender que a outra pessoa não é obrigada a satisfazer às nossas necessidades. O outro é livre para agir como achar melhor.
22. A fim de compreender as necessidades de cada um, a cada momento, precisamos focar na essência do que é comunicado.
23. Identificar e nutrir o que está funcionando bem também é necessário — e profundamente transformador
24. A Comunicação Violenta leva à solidão e ao desespero. Aprender a comunicar os próprios sentimentos e necessidades de modo firme e, ao mesmo tempo, empático, é o caminho para experimentar conexão genuína, sentido e profundidade.
25. A Não-Violência é um fazer. E só se aprende a nadar na água.

Grandmother giving flower to granddaughter in garden

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